Talentos, Startups e Aceleradoras: aprendendo com a cidade mais empreendedora do Brasil (1/3)

Este é o segundo artigo de uma série que estou fazendo sobre o mundo dos negócios e das startups em São Paulo. Se ainda não leu o primeiro, clique aqui.

Terminamos a jornada do último artigo no rooftop do Google Campus, um dos espaços mais incríveis e estimulantes de São Paulo.

À companhia de uma boa cerveja, floresciam ideias a respeito de como dar continuidade ao nosso projeto — prestes a completar 1 ano — que visa levar o mundo dos negócios para dentro da UFRJ. Assim que essa série acabar, farei alguns artigos sobre esse desafio, nosso progresso e nossas perspectivas futuras.

O papo era bom, mas São Paulo não para. Em menos de 1 hora, começaria — do outro lado da cidade — um evento sobre startups em uma aceleradora, então encerramos o assunto e tomamos nosso rumo.

Decidimos ir de metrô e tivemos uma grata surpresa: nesse quesito, São Paulo parecia mais ainda com um país de primeiro mundo. Os trens chegavam a cada 3 minutos e pasmem: as pessoas que estavam fora esperavam as de dentro saírem. O lado esquerdo das escadas rolantes quase sempre estava desobstruído e a malha metroviária cobria uma parte razoável da cidade. Strike.

Chegamos bem rápido ao local e nos deparamos com mais um ambiente incrível. Várias startups trabalhando em espécies de escritórios abertos e inter-relacionados com os demais, mesa de ping pong disponível, sofás, máquina de snacks e mesas para fazer refeições. O clima era extremamente amistoso entre as empresas e, também, conosco.

Dirigimo-nos, então, ao local do evento, onde — mais uma vez — jovens Zuckerbergs se misturavam com executivos e investidores com décadas de experiência em grandes empresas.

PAUSA: Já ouviu falar no Sympla? Descobrimos o evento a partir desse site! Vale a pena dar uma olhada! O Sympla tem o objetivo de catalogar todos os eventos existentes no Brasil. É uma startup em crescimento aceleradíssimo, que está alocada no CUBO, uma das aceleradoras mais fodas de São Paulo, que vai aparecer em breve num dos artigos mais loucos dessa série. Se você está de bobeira em qualquer lugar do Brasil, dá uma fuçada no Sympla! Tem sempre oportunidades maneiras!

Pronto! É agora que o artigo começa a ficar top! Vou te colocar dentro do evento, te mostrando as paradas mais legais que eu aprendi por lá.

APRENDENDO COM A CIDADE MAIS EMPREENDEDORA DO BRASIL

Primeiro, eu não poderia perder a oportunidade de te apresentar a Gama Academy, empresa que estava tocando o evento.

A Gama é uma empresa de educação voltada para jovens que querem trabalhar em startups. Os caras são muito sinistros! O principal programa deles se chama “Gama Experience”. É uma imersão de 4 semanas no mundo das startups, totalmente mão na massa, que visa desenvolver talentos para esse mercado. No fim do programa, as startups vão lá pessoalmente recrutar a galera, que sai super preparada para encarar o dia a dia. Dá uma olhada no site deles depois! (O Hulk no começo do artigo é uma referência à empresa).

MAS AFINAL, O QUE SÃO STARTUPS?

O evento começou com essa pergunta. E não podia ser diferente. Existe muita confusão a respeito do que é uma startup e, pra falar a verdade, não existe um consenso.

Uma definição que eu, particularmente, gosto muito é a do clássico “Lean Startup”, de Eric Ries, que diz o seguinte:

“Uma startup é uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza”.

Perceba que esta definição dá bastante liberdade de aplicação ao conceito. O autor não usa palavra “empresa” mas, sim, “instituição humana”. Isso significa que, por exemplo, ONG’s podem ser startups, organizações estudantis podem ser startups, escolas podem ser startups e, inclusive, que pode haver Startups dentro de empresas já consolidadas. Basta que você esteja tentando criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza.

A definição também não se atrela diretamente à tecnologia, associação que a maioria das pessoas faz intuitivamente quando ouve a palavra “startup”. O que a acontece é que, para criar os “novos produtos ou serviços” citados na definição, a tecnologia quase sempre entra no caminho.

Lá no evento, porém, a abordagem foi outra. Pra galera que tava lá conduzindo o encontro, uma startup é uma empresa com três características:

  • Forte cenário de incerteza, causada pela busca por um modelo de negócios inovador (até aqui, tudo a ver com a definição do Eric);
  • Forte base tecnológica;
  • Crescimento acelerado.

Repare que esta abordagem restringe um pouco mais o escopo do conceito, definindo alguns parâmetros que antes estavam em aberto.

Algumas questões, porém, são consensuais: é totalmente aceito, por exemplo, que uma startup não é uma versão reduzida de uma grande empresa. Uma grande empresa sabe qual é o seu modelo de negócios e o mantém relativamente estável ao longo do tempo. Uma startup ainda está em busca do seu modelo de negócios e, portanto, está disposta a fazer grandes mudanças num intervalo de tempo muito mais curto — se necessário. Além disso, startup é uma entidade temporária; em tese, nenhuma organização é uma startup para sempre. Ao encontrar e validar seu modelo de negócios escalável, uma startup se transforma numa companhia que vai executar aquele modelo de negócios de maneira mais sólida e garantir que ele se expanda consistentemente.

Portanto, o que se pode tirar de mais relevante dessa seção é: não existe consenso a respeito do que é uma startup. Ter isso em mente pode te poupar muito stress.

Beleza! Agora que a gente já tem uma noção do que são startups, bora ver umas paradas que eu aprendi lá no dia!

MONTANDO EQUIPES DESTRUIDORAS

Um dos conceitos mais fodas que eu aprendi nesse evento foi sobre Team Building. É basicão no mundo do empreendedorismo, mas confesso que eu não conhecia! Bora resolver um case pra entender do que eu tô falando!

CASE: Suponha que você tá abrindo uma startup. Pensa aí em 3 personas que você acredita que formariam o time ideal. (fique à vontade para ler os próximos dois parágrafos, mas não avance para a próxima seção se não quiser spoiler).

HELP: Para quem não sabe, “personas” são indivíduos genéricos que representam um determinado perfil, conjunto de habilidades, faixa etária, etc. São muito usadas para ações de segmentação de clientes; especialmente com a finalidade de direcionar campanhas de marketing digital.

HINT: comece pensando nas demandas que uma startup possui. Depois, tente pensar em personas que supririam exaustivamente essas demandas. A próxima seção vai ter dar a resposta.

OS 3 H’s DAS STARTUPS

“To run an efficient team, you only need three people: a Hipster, a Hacker, and a Hustler.” — Rei Inamoto

Um Hipster, um Hacker e um Hustler… wtf is that? Bora ver!

Hipster é o cara do design; a alma criativa do negócio. É o cara que vai tornar seu produto a parada mais foda do mundo, focando na experiência do usuário para que ela seja tão agradável que ele não vai querer fazer o logoff nunca.

Hacker é o seu programador. O cara que vai transformar ideias em linhas de código que de fato têm alguma utilidade prática. É ele quem sabe como fazer as coisas saírem do papel e chegarem ao usuário.

Hustler é o cara dos negócios. O cara que vai garantir que a equipe esteja, de fato, construindo um business — e não um produto “super legal” que ninguém quer ou que não seja financeiramente sustentável.

Em resumo:

“[…] the Hipster brings the creative design and cool factor, the Hacker brings their utility belt of technology solutions, and the Hustler finds the right way to package it all up and take it to the masses in the form of sales and partnerships” — Andy Ellwood

Continua no próximo episódio…

Bom… até aqui eu te mostrei:

  • o ambiente de uma aceleradora da grande São Paulo;
  • um site pra você encontrar eventos fodas na sua cidade;
  • uma empresa animal de desenvolvimento de jovens talentos para o mercado de startups;
  • esclarecimentos sobre a definição de “startup”;
  • a trinca mágica do team building em startups.

Informação pra caramba, então resolvi quebrar esse artigo em três partes. Nas próximas, vou te mostrar:

  • um modelo de mapeamento de cultura organizacional em startups;
  • como identificar e mensurar o fit entre um talento (que pode ser você mesmo) e uma determinada startup;
  • qual o perfil dos sonhos para uma startup contratar — e como desenvolver esse perfil.

Até lá!

Se você gostou desse texto, dá um click no coração ali do lado por favor! ;) Se acha que algo pode melhorar, por favor me mande um feedback através do email: pedrorosset@ufrj.br. Muito obrigado!

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