É Paulo

pau, é pedra, é Paulo, Paulo esse que se diz santo, mas basta andar pelas ruas de seu coração e logo a sua santidade é colocada em cheque.

Seu sangue corre em vias que não param, engatam, aceleram, por vezes freiam, trocam de marcha sem pensar muito.

Aliás não troca-se mais de marcha em suas vias, o sangue que corre nas veias de Paulo já é automático, movido ao gás de tantas cabeças acéfalas ou pensantes misturada ao álcool ingerido nos entornos da rua Augusta.

Os pingos de chuva que caem sobre suas ruas são como lágrimas incessantes, que aliás cessam, deixando apenas algumas marcas de sua rebeldia vulcânica presa debaixo de tanto cinza: enchentes que destroem sonhos, sonhos que recomeçam pós enchente.

É pau, é pedra, é asfalto, é Paulo.

É por vezes baixo e alto, curvo e reto, palácio e casebre dividindo a mesma terra, sendo que o choro da criança de um é para conseguir um tablet e o do outro é por não ter comida na mesa, comida essa que até chega, porém temperada com muito suor, risos e lágrimas.

São Paulo não pensa, age
São Paulo não age, corre
Paulo corre, mas para onde?

Pra onde eu não sei, pois corro também, mesmo não estando atrasado, pois sou filho dessa terra que me empurra em seu movimento, terra que não tem lama, afinal está coberta de asfalto cinza, terra que não engata, acelera, por cima de quem quer que seja, para chegar aonde o futuro de todo ser humano se finda: o nada.

É pau, é pedra, é Paulo, é santo? É nada.