O Despertar da Força foi isso e muito mais

Obrigado JJ.


Eu devia ter uns 5 anos quando vi a trilogia clássica pela primeira vez. Tive muita sorte de ter um irmão como o Mateus, que me influenciou em quase tudo. Me mostrou filmes, bandas, livros e quadrinhos. Ele é o grande culpado da minha nerdice e do meu amor pela cultura pop.

Essa história começa com o Mateus alugando os três filmes de Guerra nas Estrelas, ao que parecia, pela milésima vez. Dessa vez o intuito dele era, além de assistir mais uma vez, gravar os três filmes em uma só fita VHS, usando a câmera de filmar do meu pai e uma técnica maluca que ele aprendera com algum amiguinho de escola. Se eu tinha cinco, Mateus tinha 10, e fazer toda essa maluquice para piratear um filme é uma conquista e tanto para uma criança.

Na nossa época era um tanto complicado e analógico.

Gravando em EP (seja lá o que isso quer dizer), a trilogia inteira caberia em uma fita. E foi o que ele fez. Vimos todos os filmes, enquanto se seguia o processo da pirataria. Obviamente, para testar se a gravação estava perfeita, assistimos tudo de novo. Foi aí que Star Wars me pegou de vez. Eu e Mateus seguimos, desde então, apaixonados pela saga e por tudo que a envolvia.

Nós dois nos encontramos na última quarta-feira (16 de dezembro) para assistirmos juntos, a continuação da história que havíamos visto ainda crianças. Nos sentamos lado a lado, mais uma vez, para sermos maravilhados por aquela galáxia que aprendemos a amar. Por aqueles personagens que queríamos tanto ser.

Com nossos óculos de BB8 nos batemos com joelhadas e cotoveladas a cada cena do novo filme de JJ Abrams.

E que filme.

Jota Jota, um fanboy como todos nós, pegou tudo que havia de maravilhoso, mágico e especial em Star Wars e colocou na tela, magistralmente. A Disney compreendeu SW melhor que seu criador que, infelizmente, enlouqueceu (não tenho outra palavra). A mãe do Mickey não entendeu só a saga como os públicos que ela precisava atingir:

Os fãs da trilogia clássica;

Os fãs da nova trilogia (sim, eles existem);

Os fãs dos desenhos;

Quem nunca viu;

Quem nunca se importou;

Quem nunca se sentiu representado; (clique no link)

E toda atenção do mundo, de novo (obrigado hype).

Bem, eu acho que eles conseguiram uns 80% disso aí. É um grande filme de aventura / fantasia / space opera. É muito bom mesmo. Personagens cativantes com motivações válidas, roteiro amarrado, um continuação digna de um filme icônico (Episódio VI). Mas mais que isso, um puta filme de Star Wars.

Algo que, não vemos desde 1983. Eu admito que o desafio não era tão grande assim. As prequências são ruins demais, preguiçosas demais. Mas fazer um bom filme de SW no mesmo nível de Império Contra Ataca e Retorno de Jedi é algo, sim, admirável.

Todos os elementos estão lá, só que, na minha opinião melhorados.

Carga dramática, equivalente aos melhores momentos da saga. Cenas de luta, perseguição, fotografia, direção, atuação, melhores. Mais especificamente, a Força é usada e mostrada melhor que em toda saga. Só não é melhor ensinada porque nada irá superar o Yoda de Frank Oz no Episódio V.

Além de tudo, é mais engraçado que todos os outros.

Quero deixar claro que não tem como tirar o peso da trilogia clássica. Não acho que exista possibilidade de qualquer filme da renascida franquia ser “melhor” que os três primeiros. Ter elementos mostrados de forma mais inteligente e melhor explorados é uma coisa. Ser, de fato, maior que o início de tudo isso, sem chance.

E isso não é importante. O que importa é que a história que amamos está sendo contada de novo. E está sendo BEM contada. Várias pessoas são responsáveis por ela, não apenas seu criador. Talvez a grande contribuição da George Lucas para Guerra nas Estrelas foi, ironicamente, ter feito as prequências. As pessoas já sabem quais são os erros que elas não podem cometer novamente.

Que venha Rogue One, Ep. VIII, Anthology: Han Solo e Ep. IX.

Mal posso esperar.

Ps.: Vou comentar sobre cenas específicas abaixo da imagem gigante avisando sobre spoilers. Porém você pode dar like e compartilhar sem precisar ir até lá embaixo. :D


Eu tenho duas críticas ao filme:

1. Capitã Phasma.

Que decepção. Eu fico na dúvida aqui se a brincadeira foi mais uma homenagem aos filmes da era George Lucas dos personagens super fodões que não fazem nada além de prometer. Vide General Grievous e Boba Fett.

2. Estrela da Morte No.3

Ok. Starkiller Base é um conceito do Universo Expandido que eles pegaram e tal. É legal pra caramba um Planeta Arma que recarrega consumindo UM SOL. Mas puxa vida, uma foi legal demais, duas foi ok, porque né, o Império não iria deixar uma ideia tão boa pra trás. Mas pô, três vezes, a mesma história é meio demais.

Não me importo com a repetição do roteiro de Uma Nova Esperança (um robô, com alguma coisa secreta, cai no deserto enquanto encontra uma jovem talentosa e sem esperanças e etc.) Mas a Estrela da Morte já foi usada duas vezes. O plano é o mesmo. Desliga escudo, os caças entram por uma porta que leva até algo que destrói a porra toda.

Tivemos uma Lua pequena, uma grande e agora um planeta. O que vem agora? O Sistema Solar da Morte? Vai aparecer alguém criativo e inventar algo novo ou vamos reciclar isso pra sempre? Desafio lançado dona Disney.


O que eu amei mais que tudo:

1. Rey, Finn e Poe

Han, Luke e Leia tem três substitutos à altura. E isso é um grande elogio, principalmente por Han. A química do Finn com os dois é animal, espero ver todos juntos no próximo filme.

2. Rey e a força

Eu amo o quanto deixam claro, desde a primeira cena, que Rey é a protagonista e que ela é foda pra caralho. Toda a sequência do Finn indo salvá-la dos capangas, até ela consertar a Falcon (passando pelas cenas absurdas de perseguição em Jakku), te mostra que: sim, ela é uma menina; sim, ela é uma menina muito foda; sim, ela sabe se virar sozinha; sim, ela é melhor que qualquer um.

3. Rey e a Força

Nós sempre vimos e ouvimos sobre o poder do lado negro. Nunca vimos o poder do lado claro. Até JJ Abrams nos dar esse presente com a Rey. Quando ela está duelando com Kylo Ren, sabre com sabre, e ele diz que pode ensiná-la sobre a Força, diretor, roteiro, atriz e trilha mostram, mais que qualquer raio ou efeito especial, o que é a danada da Força na sua essência.

E é bonito demais. Dá vontade de sair gritando.

Ps.: Ela já havia demonstrado um pouco disso com o Stormtrooper e o mind trick.

4. Ben e Han

JJ Abrams é mestre no espelhamento quando tem que ‘recontar’ uma história. Uma das grandes genialidades do filme é, pra mim, o espelhamento da cena do Retorno de Jedi, onde Luke finalmente se entrega ao ódio e ao poder do lado negro para derrotar Darth Vader e impedir que ele seduza a irmã Leia para o mal. Quando Luke vê a mão robótica do pai decepada, ele percebe que está se tornando o pai, então volta ao lado claro e renega o ódio, jogando o sabre fora e dizendo uma das linhas mais fortes da saga, “Eu sou um Jedi, como meu pai foi antes de mim.”

Aqui, o espelhamento é a cena em que Han Solo traz o filho de volta para luz. Kylo Ren, que durante o filme admite a tentação do lado claro, sucumbe e admite para o pai que não aguenta mais e oferece seu sabre. JJ usa aqui, o mesmo recurso que Richard Marquand usou em RoJ, metade do rosto de Ren está azul e metade vermelho. Neste momento, o sol é consumido pela arma da Primeira Ordem e a luz se acaba.

Kylo, então, volta a ver só trevas e volta de vez para o mal, matando o pai.

PUTA. QUE. PARIU. Isso é cinema!

5. Han Solo

Eu acho que Harrison Ford estava tão feliz que enfim iam matar Solo (ele deseja isso como um louco desde Ep. V), que foi sem dúvida o melhor Han que já vimos. Contrabandista, irônico, impetuoso e corajoso como sempre. Um fim incrível para um personagem inesquecível.

6. Maz e a Força

Só para comentar que quando Maz (nosso novo Yoda), faz o discurso sobre a Força para Rey, eu chorei feito criança no cinema.

7. Luke e o sabre

Mark Hammil atuou em 40 segundos, mais que em toda trilogia clássica. E foi emocionante para caralho vê-lo ali, com os olhos cheio de lágrimas ao ver o velho sabre do pai, que fora perdido junto com a mão direita em Bespin no Império Contra Ataca. Que maneira linda de se terminar o filme.


Bem, essas são as minhas opiniões sobre O Despertar da Força. E você, o que achou do filme?

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