Futuro do jornalismo será menos lucro e mais equity

Fazer tudo pelo lucro pode acabar com seu futuro

Na edição 13 do Nerdcast Empreendedor, que abordou o tema do empreendedorismo digital, Flávio Augusto (mega empreendedor brasileiro, fundador da Wise-up, dono do Geração de Valor e do Orlando City) falou que as empresas dele eram voltadas não para o lucro, mas para o equity.

Brand equity representa um importante ativo intangível que corresponde a um valor psicológico e financeiro da organização. Ele é baseado em pilares como lealdade à marca, notoriedade, qualidade percebida e associações. Já lucro é o ganho oriundo de qualquer operação comercial ou atividade econômica. Grosso modo, é tudo que sobra do faturamento depois de pagas todas as despesas.

O que Flávio Augusto quis dizer é que um modelo de negócio focado exclusivamente no lucro pode cair na armadilha de prejudicar a imagem da marca em troca de ganhos no curto prazo. Já um modelo que visa o equity demandará uma análise mais cuidadosa dos investimentos, tendo como objetivo a construção de valor e relevância no longo prazo.

Fazendo um paralelo com o mercado jornalístico, vemos casos em que o lucro claramente está prejudicando o equity. Por exemplo, buscando atrair mais espectadores para manter as receitas originadas de click views, alguns veículos jornalístico têm copiado o modelo do Buzzfeed. Dessa forma, deixam de lado um jornalismo de qualidade para investir na produção de listas engraçadinhas.

Algumas empresas fazem tudo por ganhos de curto prazo

No curto prazo, até atraem alguns leitores interessados em entretenimento rápido, mas no longo prazo corroem sua credibilidade e afastam a base de leitores mais fiéis, destruindo o brand equity da empresa. Nesse contexto, tanto a sobrevivência das empresas tradicionais do ecossistema jornalístico, como as start-ups que vem surgindo tem ter foco em criar um ativo valioso, investindo em qualidade e relevância, em vez de desperdiçar recursos na caça audiência episódica.

Como bem destacou o estudo dos pesquisadores do Tow Center For Digital Journalism da Universidade de Columbia, Chris Anderson, Emily Bell e Clay Shirky, os recursos de publicidade serão cada vez mais escassos no mundo jornalístico.

Uma pequena pausa, para reforçar minha indicação de leitura do desse ótimo trabalho. Aliás, já tratei de alguns pontos dele nesse outro post AQUI.

Retomando, os pesquisadores explicam que o aumento exponencial de produtores de conteúdo, combinado com o poder das plataformas de distribuição e pesquisa (Facebook e Google, principalmente) irá retirar grande parte do investimento publicitário do jornalismo. Além disso, por conta da capacidade de mensuração e hiper segmentação, o recurso que ainda fluir para as empresas jornalísticas será cada vez mais reduzido.

Nesse contexto, será necessário buscar outros modelos de negócio, que envolverão um conexão cada vez maior com os consumidores, seja por meio de financiamento coletivo ou de assinaturas. Será primordial, então, produzir conteúdo que realmente agregue valor para o usuário. Entretenimento barato não vai fazer ninguém botar dinheiro no seu negócio.

Algumas empresas estão totalmente desorientadas

Outro caminho possível é buscar um modelo sem fins lucrativos, subsidiado por recurso de terceiros (fundações, governos, grandes investidores)como faz a Agência Pública e o Pro Publica, por exemplo. Nesse caso, o brand equity também é fundamental, pois a instituição quer investir seus recursos em meios com credibilidade e que produzam um conteúdo que contribua para uma sociedade melhor e uma democracia mais pujante. Ou seja, passarão longe de jornalismo caça-clique.

Em suma, o mercado jornalístico está sendo seriamente modificado na era digital, principalmente porque a distribuição de conteúdos passou a estar concentrada em pouquíssimos players. Por conta disso, tem muita gente que foi expulsa da zona de conforto e está totalmente desnorteada. Nesse cenário, há um risco latente de empresas empenharem seu futuro para segurarem os lucros do presente. Felizmente, há iniciativas que estão buscando um caminho diferente, investindo na qualidade com foco no médio e longo prazo, como você pode ver AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.

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