Jornal Nacional muda para tentar se adaptar à nova era do jornalismo

Vivemos uma época de intensa mudança no modo de fazer jornalismo. Isso não é novidade para ninguém. Interessante é ver players da mídia tradicional finalmente se movimentarem para implementar novas formas de reportar os fatos.

Um bom exemplo foi a cobertura do trágico e indesculpável desabamento da ciclovia no Rio de Janeiro, que deixou pelo menos duas pessoas mortas. O JN trouxe uma série de elementos como gráficos, opinião de especialistas, imagens feitas por telespectadores e vários depoimentos de partes envolvidas. Além disso, a previsão do tempo, que muitas vezes é tipo como uma parte menor do jornal, agregou informações ao acontecimento, explicando a origem das ondas gigantes que derrubaram a construção.

Contudo, esse não foi um caso pontual. O JN vem implementando já há algum tempo um série de mudanças para ajustar seu modelo aos avanços da era digital. (Um parênteses aqui para lembrar que muitas das mudanças do jornalismo estão relacionadas a ascensão do novo poder, que falei no último texto).

Os pesquisadores Chris Anderson, Emily Bell e Clay Shirky, em estudo disponível no Tow-Center (recomendo demais a leitura!), trazem elementos muito bacanas para entender os fatores que estão forçando grandes empresas jornalísticas a mudarem seu modelo de negócios. Muitos desses pontos podem ser identificados na nova fase do JN.

Vejamos alguns deles. Eles afirmam que atualmente é fundamental que cada jornalista tenha sua própria rede e que construa sua persona. Isso fica muito evidente no caso do âncora e editor do telejornal, William Bonner, principalmente em seu perfil no Twitter. Ele passou a interagir constantemente com seus seguidores, gerando mais simpatia para o JN.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é a questão de que cada vez mais o jornalistas precisarão de carisma para atrair os espectadores. Afinal, estamos vivendo na economia da atenção, na qual é cada vez mais complicado fazer as pessoas prestarem atenção em você. Nesse sentido, o JN marcou um golaço com a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju. Ela repaginou uma parte normalmente apagada do jornal — a previsão do tempo, como vocês podem ver neste vídeo aqui.

Como esse texto já está ficando longo demais, destaco um último ponto, que é a crescente utilização de recursos gráficos e dados para ilustrar as reportagens e facilitar o entendimento dos espectadores. A Rede Globo sempre lançou mão desse artifício. Contudo, ultimamente ele tem sido bem mais utilizado, seguindo uma tendência crescente do novo jornalismo.

Para fechar, não podeira deixar de mencionar ainda o Hackaton que a empresa realizou na casa do Big Brother Brasil, reunindo vários jovens programadores e designers para ajudar a repensar seu modelo jornalístico.

Alberto Abieiro, diretor de experiência da Prisa, o conglomerado editorial que possui os direitos sobre o jornal El País, em sua apresentação no digital Media Europe, apresentou um gráfico que resume bem o desafio das empresas que não são nativas digitais, como a Rede Globo, em relação às que são. Deixo aqui como fechamento do texto para reflexão.

Ei, antes de ir embora, se gostou do texto, clique nesse coraçãozinho aí embaixo! Isso vai ajudar a levar esse conteúdo para mais gente. E que tal continuarmos esse debate? Me adicione no Facebook e/ou no Linkedin. Será um prazer fazer parte da sua rede.