Julgue, mas nunca rotule

Você pode julgar, mas não deve rotular. Esse é um dos ensinamentos mais profundos com que tive contato. O ser humano é viciado em identificar padrões. Quando percebemos algo que se repete algumas vezes, tendemos a estabelecer que aquilo sempre funcionará de acordo com determinada sistemática.

Esse comportamento, no entanto, quando aplicado às pessoas, é altamente prejudicial. Se você cristaliza uma imagem de alguém, você passa a ter uma visão preconceituosa sobre ela. No longo prazo, isso tende a destruir laços e fomentar ressentimento e desrespeito.

Se queremos construir relações saudáveis, temos que nos livrar dos enquadramentos automáticos e dos esteriótipos. Isso, contudo, é um exercício diário, pois tendemos sempre a retornar para a zona de conforto dos pré-julgamentos.

A força do grupo

Dentro de um grupo, podemos assumir ou o grupo pode nos delegar um papel. O segundo caso é o grande obstáculo para aqueles que desejam mudar atitudes e hábitos.

Por exemplo, uma pessoa desorganizada que decide colocar ordem na casa enfrentará uma resistência do grupo que, mesmo diante da mudança, irá tentar negar e desencorajar a transformação.

Isso ocorre porque nós criamos nossa identidade baseada na comparação com aqueles que nos circundam. Dessa forma, se um elo do grupo decide dar uma guinada significativa no seu modo de agir, ele irá mexer com todos os outros, pois as referências serão alteradas.

A questão é que esse processo irá tirar todo mundo da zona de conforto. Assim, haverá um movimento de boicote (muitas vezes sem intenção racional). Por exemplo, se você é conhecido por ser o amigo que exagera na bebedeira e decide parar de beber, os outros irão reagir e tentar te desanimar, porque, se você deixar de ser o doidão da turma, alguém será empurrado para esse papel.

Por isso que, quando pessoas precisam mudar radicalmente de hábitos, elas têm de tomar a difícil decisão de se afastar de alguns amigos.

Relógio onipresente

Você já percebeu que, quanto mais presente é a tecnologia na nossa vida, mais convivemos com relógios? No celular, no tablet, na televisão, no computador, em todo lugar, tem ali um programinha calculando o passar dos minutos logo ao alcance dos nossos olhos.

Eu sinto que essa situação acaba tirando um pouco da nossa capacidade de aproveitar as coisas despreocupadamente. Isso chega a um extremo que, em algumas newsletters que recebo, já vem uma estimativa do tempo que vou gastar para ler os textos.

Nesse contexto, o refúgio parece mesmo ser o bom e velho livro de papel. Lá podemos nos deixar levar, focando mais na degustação das palavras e menos no passar das horas.

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