Quem confia nos jornalistas?

Com o momento de intensa disputa política que vivemos, muitos têm questionado a confiabilidade da imprensa e dos jornalistas. Para entender melhor se está mesmo havendo uma queda na confiança das pessoas em relação aos meios de comunicação e dos profissionais que neles trabalham, fui atrás de dados concretos.

Encontrei duas pesquisas. A primeira é a realizada pela empresa americana Eldeman. O levantamento foi feito online com 33 mil pessoas em 28 países. Globalmente, o índice de confiança na imprensa passou de 45%, em 2015, para 47%, em 2016 . No caso brasileiro, o nível subiu de 51% para 54% de um ano para outro. O mais interessante é que o crescimento é puxado principalmente pelos veículos online. A confiança nesse segmento saiu de 45% para 53% - crescimento de oito pontos percentuais.

A confiança na mídia tradicional também teve uma leve ampliação. Passou de 57% para 58%. A pesquisa inclui ainda no pacote “mídia” as ferramentas de busca e o Facebook. O primeiro grupo teve também elevação, de 62% para 63%. Já a rede social de Mark Zuckerberg foi a única a perder pontos (45% em 2015 e 44% em 2016).

Diante dos resultados, é possível enxergar algumas tendências. A primeira é que os brasileiros, por enquanto, confiam mais em ferramentas de busca, como o Google, do que em veículos jornalísticos. A segunda é que os meios de comunicação online tem inspirado cada vez mais credibilidade, o que se reflete no crescimento significativo do nível de confiança.

A terceira é que, apesar de ser a principal fonte de informação para grande parte da população, o Facebook vem sofrendo com crescente desconfiança. Isso talvez seja reflexo da maré de notícias falsas que vem contaminando a rede.

É possível, ainda, ter uma visão mais pessimista dos resultados. Afinal de contas, praticamente metade dos entrevistados não confia na mídia.

A segunda pesquisa é da empresa GFK. Ela analisou a confiança que as pessoas têm em 30 profissões. O levantamento foi realizado em 27 países. Por aqui, foram entrevistadas 1.000 pessoas. O Brasil apresenta o índice de confiança médio mais baixo entre os países participantes.

No ranking mundial, os jornalistas ocupam a 20ª posição. Ou seja, estão na metade inferior da tabela. Na média, 63% dos entrevistados dizem confiar nos profissionais da mídia. No Brasil, os jornalistas ganham várias posições, sendo a 8ª profissão que mais confiável, a frente, por exemplo, de engenheiros, médicos, soldados e publicitários.

Com relação à média global, a diferença é de mero um ponto percentual, 64% dos entrevistados brasileiros dizem confiar no trabalho dos profissionais do jornalismo. Contudo, tendo em vista que o nível geral de confiança no país é baixo na média de todas as profissões, o resultado não deixa de ser auspicioso. A má notícia é que houve uma queda de dois pontos percentuais em relação à pesquisa de 2014.

Diante dos números aqui apresentados, acredito que não é possível assegurar se as pessoas estão ou não perdendo a confiança nos jornalistas. Ao mesmo tempo em que se percebe um crescimento na pesquisa da Eldeman, vê-se uma queda na da GFK. No entanto, em comparação com outras profissões, não há uma diferença significativa no nível de confiabilidade. Percebe-se, contudo, um espaço relativamente grande para ampliar a credibilidade, tendo em vista que, nas duas pesquisas, 4 de 10 entrevistados desconfiam dos profissionais da mídia.

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