Fuga para o Campo (dia 1)

Estamos os dois no quarto. Eu, sentado à frente do computador, escrevendo-os este texto. Ela, de pé — linda como sempre! -, vestido azul aberto às costas, sutiã preto à mostra (e os cabelos curtos. Ah, os cabelos curtos!), fazendo nossas malas.

É o primeiro dia do resto das nossas vidas. Dia 23 de junho de 2017. Exatos 18 meses depois de unirmo-nos carnalmente. Os dois corpos em um só sentimento. Nossa vida sempre teve dessas coisas. Coincidências? Nós dois chegamos à conclusão que coincidências não existem (aliás, acho que isso foi ontem). Ela gosta de chamar de destino. Eu não sei como gosto de chamar. Mesmo não acreditando em coincidências, eu vou chamar assim.

Passagens compradas, primeiro destino Lisboa.

Não sabemos bem como vai ser. Na carteira, pouco mais de 3 mil € — sobras de um investimento falho na área de hotelaria. Na cabeça, a vontade de ser feliz e de saber, realmente, do que somos capazes como pessoas. Prezamos a liberdade e queremos, acima de tudo, desligarmo-nos de um estilo de vida completamente nocivo ao nosso desenvolvimento como seres humanos. Acreditamos que é no campo que seremos felizes. Voltando às origens da humanidade, o verdadeiro porque da humanidade ser como é hoje.

Mais importante do que controlar o fogo ou comunicar-se, o ser humano precisou da agricultura para ser o que é hoje. Estabelecer-se em um lugar, trabalhar a terra, suar e poder colher o fruto deste trabalho e suor para alimentar-se. Acreditamos que seja essa a verdadeira essência do ser humano: estar em contato com a terra, estar em contato com a Mãe-Natureza, por mais clichê que isso possa parecer. A felicidade não está lá fora, está em nós. Está onde nós sentimo-nos bem, realizados. Ao lado de quem amamos. Dividindo todas as dores e todos os prazeres de uma vida simples, onde vale mais ser do que ter.

Estamos felizes. Ela mais certa do que eu. Como quase sempre.

É hora de empacotar tudo e acabar de fazer as malas.

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