A objetificação da arte no Brasil

Uma reflexão sobre a objetificação da arte no Brasil e uma conversa com o criador da página Revoltirinhas sobre o tema.

A arte pela arte se encontra quase extinta. Seja no ramo da música, do cinema ou em qualquer outro, tudo se curva para o ditador da sociedade: o dinheiro. Diversos artistas, hoje, ao buscarem divulgar seu trabalho e viver de sua paixão pela arte, encontram uma barreira colossal e quase intangível: a exploração. Partindo principalmente de grandes editoras e produtoras, quase sempre há a tentativa de se explorar o artista — seja cobrando dele mesmo a impressão e entrega de seus livros ou simplesmente não dando lucro nenhum a ele. Assim, se torna difícil encontrar artistas que tentem fugir desse padrão para realizar o sonho de seguir a carreira artística por conta — afinal, apenas arcando com todos os custos você será publicado.

Para tentar contornar essa situação, alguns artistas com um público considerável lançam campanhas em sites de crowdfunding (arrecadação online) para poder financiar seus trabalhos — contudo, é importante ressaltar que isso não significa uma certeza para a realização do projeto, pois nem todos julgam o projeto merecedor do apoio financeiro. Como exemplo, temos a campanha do Affonso Solano para lançar um CD de rock-ópera com a história de seu livro, O Espadachim de Carvão — campanha essa que arrecadou toda a quantia necessária.

Mas, como em tudo no mundo, há exceções. O Revoltirinhas, uma página criada há mais de dois anos voltada a compartilhar tirinhas que misturam humor e filosofia, lançou meses atrás uma campanha no Catarse para arrecadar fundos para lançar o livro “Revoltirinhas Lado B” apenas em mídia digital, tentando, dessa maneira, quebrar a colossal barreira da exploração para lançar um livro artístico de qualidade, contornando assim a necessidade de se ter intermediários que reduzem ou até mesmo anulam o lucro do artista. Contudo, o projeto não obteve apoio suficiente devido ao fato de grande parte do público demandar a obra em mídia física e foi cancelada. Deste modo, a arte é objetificada, se reduzindo a algo que renega sua própria essência: de ser apreciada pelo amor à arte e não pelo apego material. Apesar de ser uma transição difícil — de se desapegar ao papel e apoiar arte digital — hoje é algo necessário, tanto pela exploração quanto até por questões ambientais.

Apesar de todas as dificuldades, o Revoltirinhas continua decidido a publicar o seu livro digital de uma forma independente e, para isso, uma nova campanha no Catarse foi lançada recentemente. Para compreender melhor, o criador da página concordou em ser entrevistado por mim para debater sobre a necessidade de se ter arte sem depender de grandes editoras e discutir sobre como é a vida de um artista que enfrenta um cenário injusto.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

Pedro Zuccolotto: Primeiro vamos ao básico. Quem é o criador do Revoltirinhas?

Jorge: Me chamo Jorge, sou de Santos, SP, e tenho 26 anos. Sou um ex-publicitário, estudante compulsivo de filosofia, escritor e, no tempo que me resta, desenhista.

PZ: Como começou a sua paixão pela arte?

J: Minha paixão pela arte foi se desenvolvendo em períodos da minha vida. A lembrança mais remota foi com meus seis anos. Via minhas primas copiando os Cavaleiros do Zodíaco de umas revistinhas especializadas no anime. E me interessei em começar a desenhar mais “a sério”.

No período dos 7 aos 15 eu era nutrido anualmente com quadrinhos do Calvin e Haroldo, pelo meu tio. Aquilo realmente mexia comigo. Eu achava incrível (e ainda acho) a capacidade de cativar que o Bill Waterson tinha. Sempre que lia, me vinha uma comichão pra tentar fazer quadrinhos com aquela atmosfera. Saía sempre uma cópia barata e americanizada (isso só mudaria lá pro final do ensino médio).

A partir dos 16 conheci o RPG e isso mudou minha vida. Tomei de volta o hábito abandonado de escrever (que havia deixado por insegurança provocada pelas reprimendas aos meus erros de português). Mas dessa vez eu mesmo lia meus textos, quando queria “mostrá-los” a alguém.

Vi que as pessoas elogiavam muito a criatividade e a atmosfera das histórias. Foi aí que descobri como a escola mata tantos potenciais por “neurotizar” o aluno com regras compulsivas, priorizando tanto o método e jogando literalmente no lixo o objetivo final daquilo.

PZ: Você fundiu três coisas completamente distintas para criar o Revoltirinhas: o humor, a filosofia e a arte em forma de tirinhas. Como surgiu a ideia de mixar tudo isso?

J: Foi algo não planejado. Eu idealizava vários tipos de projetos distintos: queria fazer um projeto de tirinhas críticas, um outro de tirinhas humoradas/non sense e um outro de poesias, lirismos e crônicas. Comecei com o lado mais cômico predominando. Queria me divertir e tentar criar um mundo diferente do que eu estava vivendo na época (tinha acabado de pedir demissão de uma agência e estava profundamente espantado com a baixeza que o ser humano pode chegar).

Nesse período o Revoltirinhas crescia num ritmo bem frenético e eu percebi logo nas primeiras semanas (lá pelos dez mil leitores da página) que, ingenuamente, eu atraía a parcela onde se concentra a maior parte do pessoal que “olha e não vê”. Okay, era humor, mas existiam críticas sociais por trás daquele humor que eram afogadas em risos desconectados de uma visão crítica da coisa.

Fui implementando sutilmente elementos mais críticos pra tentar mudar um pouco o público, desinteressar o pessoal da risada frouxa e atrair pessoas mais interessadas em questionamentos, em tentar extrair o que existe além do humor.

Fui abrindo o leque com todas as nuanças que eu acho interessante e saiu esse “Frankenstein” em forma de tirinhas semanais que o pessoal vê hoje.

PZ: Nas suas tirinhas há diversos personagens “fixos”, que aparecem com certa frequência. Quem são eles e de onde veio a inspiração para criar cada um deles?

J: Eles são o equivalente à minha paleta de cores para uma pintura social. Cada um deles tem um propósito e uma origem distinta. Mas essa resposta continua nos volumes do Revoltirinhas Lado B.

PZ: A página do Revoltirinhas, hoje, possui mais de 270 mil curtidas no Facebook. Como o crescimento da página impactou e impacta sua vida?

J: Acho legal ver que tanta gente gosta do que faço, que se sentem identificadas com meus pensamentos, minha vida.

Mas é triste perceber que muitos olham pra todo esse trabalho e simplesmente consomem, sem dar a mínima de que existe um ser humano ali, que precisa pagar as contas tanto quanto eles. Você oferece um produto, as pessoas adoram. Você fala que é seu trabalho, as pessoas se ofendem.

As pessoas gostam de consumir coisas autênticas, que fale a língua delas, mas ao mesmo tempo não gostam de questionar a maneira inconsequente que consomem quadrinhos e toda arte independente em geral.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: Você tem tirinhas favoritas? Quais e por quê?

J: Existem muitas que eu considero minhas favoritas. Vou citar algumas, apesar de todas terem minha predileção, cada uma em certo aspecto. Os “porquês” eu vou dar uma leve passada mas deixarei os detalhes pros volumes do “Revoltirinhas Lado B”.

A série “Como meu pai me tornou um astronauta”. Essa série foi bastante icônica, teve muito a ver com minhas frustrações com relação à minha mãe e em como eu gostaria de certo respaldo e apoio de meu pai em relação a minha vida de escritor e desenhista.

Tirinha da série “Como meu pai me tornou um astronauta”, cedida pelo Revoltirinhas.

A história “Cupckéia” que é uma história linear que eu pretendia levar adiante e que infelizmente as condições financeiras não permitiram o tempo que precisava para realizá-la. Acabei tendo que deixá-la na geladeira pra trabalhar como freelancer na maior parte do tempo e fazer tirinhas curtas quando era possível.

Tirinha da série “Cupckéia”, cedida pelo Revoltirinhas.

Os diálogos do Tobias e da Sofia, principalmente os filosóficos. Mora muito das minhas descobertas filosóficas naqueles quadrinhos.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: No geral, quanto tempo você leva para criar, fazer e publicar uma tirinha?

J: Nunca menos de seis horas. Algumas tirinhas levaram dias entre a construção do roteiro e a finalização da arte. Tiveram tirinhas que levaram 12 horas só pra fazer a arte, pra arrumar os enquadramentos e passar a sensação que eu queria, como a tirinha da Sofia falando da efemeridade da vida.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: O Revoltirinhas é, para você, uma fonte de renda ou apenas um hobby?

J: Sim, é minha fonte de renda. Baixa, porém é. Recebo apoios através do Patreon. Eu complemento ela fazendo trabalhos como designer freelancer. Poderia dizer que sou um freelancer que no tempo livre ganha um troco com tirinhas, mas não quero me identificar assim, por mais que a realidade seja essa, estou me esforçando pra mudar isso.

PZ: Você lançou agora a campanha para lançar o livro digital “Revoltirinhas (Lado B)”. Do que se trata esse livro?

J: Acredito que as tirinhas que venho produzindo durante esses mais de dois anos possuem mensagens atemporais, reflexões importantes e críticas que serão atuais durante muito tempo ainda. Muitas tirinhas precisam ser restauradas para uma arte mais refinada que já possuo a capacidade de produzir. Além disso, reunir e catalogar todas elas com textos e curiosidades ao lado de cada uma é a melhor maneira de tornar esse trabalho sólido e duradouro.

O formato digital, aliado ao armazenamento na nuvem de grandes servidores, garantirão uma durabilidade e fidelidade de detalhes pra essa obra que livro físico algum conseguiu conquistar.

Além de ser um marco, uma quebra de paradigmas na maneira que majoritariamente o público brasileiro vem consumindo arte nacional.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: E de onde veio a inspiração para criar esse livro?

J: Cada tirinha é um “superconcentrado” de reflexões, ensaios filosóficos, acontecimentos, críticas e observações sobre a vida e a sociedade em si. Eu sempre senti que existia nas tirinhas mais bagagem do que elas poderiam levar em tão poucos quadrinhos.

Quando comprei a edição do décimo aniversário do Calvin, onde o Bill Waterson comenta abaixo de várias tirinhas e conversa com o leitor, eu fiquei fascinado com a possibilidade. E a coisa explodiu na minha cabeça quando fui num sebo perto de casa, na parte dos discos de vinil, e uma mulher que olhava a playlist de um disco do Led Zeppelin falou “as melhores coisas se escondem no lado B”. E eu pensei “é isso”.

PZ: Por que não tentar abordar uma gráfica ou editora para lançar em mídia física?

J: Infelizmente o mercado editorial brasileiro é extremamente apático quanto a procurar novidades em território nacional. Eles esperam literalmente o cara se fazer sozinho pra depois oferecer um contrato vergonhoso. A verdade é que nosso mercado editorial é um mero subordinado das vontades norte americanas, com algumas pitadas de autores e obras brasileiras.

O que resta pro artista que deseja ter seu próprio livro físico é recorrer a uma gráfica. E descobre-se a dura realidade: a confecção de um livro é tão cara que ele tem que gastar milhares de reais só pra pagar o prejuízo, somado ao sistema de correios mais caro do mundo. Isso resulta na total desvalorização do trabalho do artista. Todo dinheiro de uma campanha no Catarse de livro impresso, vai só pra pagar prejuízos (quem duvida pode abrir agora mesmo qualquer campanha aprovada e checar os gráficos de orçamento. Não, aquilo não é brincadeira). Sei disso porque a primeira ideia que passou pela minha cabeça foi fazer um livro físico. Fui em várias gráficas e a realidade é essa. O preço era tão absurdo pra fazer um quadrinho colorido e impresso que muitos se negavam a sequer me dar um orçamento formal, tratando aquilo como uma grande perda de tempo.

PZ: Você possui colegas artistas que compartilham do seu pensamento?

J: A maioria dos artistas independentes que conversei concordaram com meu pensamento. Eles relataram o extremo absurdo que é o financiamento coletivo de livros físicos.

Reações de artistas para a tirinha sobre campanha de livro impresso. Cedido pelo Revoltirinhas.

PZ: Para você, as grandes gráficas e editoras acabam “matando” possíveis projetos nacionais por serem muito diferentes e por demandarem muito dinheiro e explorar o artista?

J: As gráficas não têm culpa. Elas possuem um maquinário preparado para altas tiragens, para atender outro tipo de demanda.

O grande problema é a postura arcaica das editoras. Eles já estão completamente fora de cena, não acompanham as tendências, sequer alcançam a superfície do pessoal que realmente curte arte nacional, que é engajado, jovem, inquieto. As editoras infelizmente se jogaram num porão mofado pro tempo terminar de corroer.

PZ: Essa é, como eu disse antes, a sua segunda campanha para financiar o livro. Na primeira, você atingiu apenas 28% da meta. Você pôde aprender algo com isso?

J: Que arte independente é mais complicada do que eu já imaginava ser. Existe um grande público que aplaude, mas uma minoria que quer fazer aquilo que admira continuar a ser possível. Nessa segunda campanha mudei a estratégia para tentar encontrar e me aproximar mais daqueles que realmente gostam e valorizam o trabalho do quadrinista.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: Por que somos tão apegados ao material? A filosofia aborda isso de alguma maneira?

J: Todo o nosso sistema se baseia na objetificação. Quando cursei publicidade eu estudei de perto esse fenômeno.

O objetivo da publicidade é dar a falsa sensação que o objeto contém uma emoção que realmente não está ali. Têm vários teóricos da área que explicam o ciclo do consumo: Você olha, sente desejo (que foi impulsionado por uma emoção abstrata)e compra. No ato do consumo você não encontra a emoção que o produto disse possuir e então você volta a roda do consumo pra tentar achar aquilo que é prometido.

Na filosofia, Platão critica muito essa falta de lucidez das pessoas, que “encontram diferentes coisas onde existe algum bem, mas são incapazes de enxergar o Bem”.

O que nos faz humanos é nossa capacidade de refletir, que é totalmente abstrata.

Principalmente a arte. Ela não mora no objeto. Você nunca conseguirá tocar uma obra de arte com as mãos. A arte está para além da matéria. A matéria é um mero resíduo, uma sobra do que não está ali. A arte só pode ser vista e tocada verdadeiramente pela alma.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: Você acha que esse apego material é uma questão cultural do Brasil ou das pessoas de uma maneira geral em todo o mundo?

J: Quanto mais lucidez um ser humano possui, menos apegado ele se torna aos objetos. Independente de sua nacionalidade. Aqui no Brasil (como todo país “em desenvolvimento”) existe um agravo, já que a cultura e o conhecimento científico são pouco estimulados. Somos majoritariamente uma massa conveniente de trabalhadores zumbis.

PZ: No Brasil, os aparelhos eletrônicos geralmente custam muito caro, especialmente os e-readers. Um Kindle da Amazon, por exemplo, custa hoje R$299, e o Lev da Saraiva por volta dos R$400 — lembrando que o salário mínimo hoje é de R$880. Assim, o público não tem uma plataforma acessível e apropriada para consumir livros digitais. Na sua opinião, isso atrapalha em projetos que querem ser independentes de gráficas e editoras?

J: Na verdade o nosso livro nada tem a ver com esses e-readers. O pessoal anda confundindo muito e acha que todo e-book é um EPUB (formato para leitura em preto e branco dos e-readers), o nosso é o formato de leitura colorida, ou seja, PDF. São formatos totalmente diferentes.

O formato foi escolhido pensando totalmente nas pessoas que já leem nossas tirinhas. Pra ampliar a experiência de leitura. E que público é esse? O pessoal que possui smartphone, computador desktop ou notebook. Ou seja, meu público já tem a plataforma para ler o Revoltirinhas, pois é por algum desses modos que eles leem o que produzo até hoje.

E aí sempre surge um dizendo que pra ele não dá porque “dói os olhos”. Sempre me espanto com isso, pois nunca disponibilizei minhas tirinhas em nenhum outro formato que não fosse digital, ou seja, o cara leu sempre através de uma tela luminosa. Também nunca recebi comentários desse tipo por cartas através dos correios. Parece que quando é gratuito, ou se chama “whatsapp” ao invés de “e-book” os olhos não doem tanto.

Quanto a questão financeira dos tais “e-readers” eles não são uma ferramenta necessária, apenas mais “confortáveis”. Porém é um conforto um tanto questionável, já que passamos em média mais de oito horas ao dia frente a uma tela luminosa, lendo e escrevendo posts, chats e afins. Isso equivaleria a livros e livros enormes lidos mensalmente através de uma tela com luz (é a mesma quantidade de texto, a única diferença é a qualidade do conteúdo). Vejo que todos já possuem a ferramenta de leitura (seja um smartphone ou um computador), porém fazem um uso um tanto limitado da ferramenta que possuem.

Logo, não acredito que é o custo de e-readers que podem atrapalhar projetos digitais, mas a falta de consciência dos consumidores. Por isso esse projeto, o “Revoltirinhas Lado B”, é muito mais que um projeto. É uma causa.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.

PZ: O fato de uma boa parte dos consumidores brasileiros idolatrar de forma excessiva os artistas internacionais acaba interferindo de alguma maneira na produção nacional de arte?

J: Muito. Eles idolatram por sequer conhecerem a arte que existe dentro do próprio país. E isso é muito estimulado pela grande mídia e pelo mercado editorial tradicional. Existe uma forte doutrinação norte americana no país, já de muitos anos. O público precisa se dar conta disso.

PZ: Você acha que deveria haver mais estímulo, por parte do governo, para incentivar a produção de arte nacional?

J: O governo deveria estimular mais o orgulho de nossas raízes, valorizar mais nossos artistas. Erguer mais cinemas pelo país. Cinema de verdade. Não essas salas de enlatados. Lugares pra passar Arte, com A maiúsculo, nossa Arte. E também abrir espaços pro cinema francês, húngaro, espanhol, russo… uma infinidade de estilos. A sensação que me passa é que a maioria nunca cogitou que existe diversidade cultural no cinema. Parece que os americanos são os únicos que têm uma câmera e atores.

Desentupir o mercado editorial, abrir para artistas brasileiros jorrarem nas prateleiras. Ter orgulho de quem somos.

PZ: O que o público em geral, ou seja, as pessoas comuns que acompanham o trabalho do artista e querem ajudá-lo de alguma maneira, podem fazer para tentar reverter esse cenário de exploração?

J: Devem procurar um contato mais direto com o artista. Combater intermediários. Estamos em 2016! As fronteiras entre o público e o artista muitas vezes está num clique de mouse, num dedilhar de teclas. Um artista pode prover o que o público quer e o público pode consumir o que o artista faz, de maneira consciente, com o mínimo de intermediários.

Devemos virar as costas pro que a grande mídia nos impõe diariamente, pro mercado editorial arcaico e olhar pro futuro! Nós somos o futuro: eu, você, os seres humanos. A industrialização fria da cultura e das emoções, isso é passado, ao menos já passou da hora de ser.

Vamos gerir nossa própria cultura. O mercado com certeza vai olhar pra isso, ver que está sendo jogado fora e se readaptará às nossas exigências.

PZ: Quer dar algum recado para os artistas que, assim como você, querem seguir carreira e realizar seus sonhos mesmo com dificuldades?

J: Uma vez li uma frase em algum lugar que dizia que o vencedor é aquele cara que acredita em si, mesmo quando o mundo todo duvida dele. Você vai precisar ser esse tipo de cara.

E terá que ter um ideal muito forte, uma ideologia por trás do que você faz. Porque, antes de mais nada, você precisará mudar muitas cabeças acomodadas pelo seu caminho. E não há mudança sem uma forte filosofia bem construída por detrás de cada ação.

Tirinha cedida pelo Revoltirinhas.