A passeata pela “supremacia branca” do dia 12 de agosto de 2017

Estamos regredindo à idade média?

12 de agosto de 2017, uma época gloriosa para se viver. Todo o avanço em direitos humanos, aprendizados históricos e evolução da humanidade parece não ter servido para absolutamente nada. Parece que muitas pessoas (infelizmente uma quantia considerável) não aprendeu que se deve respeitar outro ser humano de forma igual. Era de esperar que estivéssemos inventando maravilhas tecnológicas, mas na verdade estamos discutindo (ainda) porque nazismo é errado.

Nesse dia, na cidade de Charlottesville, Virginia (EUA/terra do Tio Sam), ocorreu um protesto de aquecimento para o evento “Unir a Direita”. Um protesto que uniu a “extrema direita” para exercer o direito de mostrar sua opinião em relação a, bem, aos seres humanos que não são considerados brancos. Em pleno 2017, uma passeata dessa acontece e ainda rende frases como “sim, eu sou nazista” e “gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?”. A ideologia protecionista e patriota de Trump parecer ter gerado proles ou, pelo menos, despertado o desejo de expressão de muitos norte-americanos. Aliás, estamos falando do mesmo presidente que demorou dois dias para se pronunciar sobre o ocorrido — depois de muita insistência por parte da mídia e do povo — mas que condenou um CEO em duas horas por tê-lo criticado. É mole?

Fonte: Reuters

Será que o sistema educacional falhou? Será que a humanidade falhou ao tentar ensinar ao mundo que o nazismo, por exemplo, foi algo errado, anti-ético e estúpido em tantos níveis que demoraria horas para escrever tudo? Eu não consigo parar de me indagar o que aconteceu no meio do caminho da história para as pessoas continuarem a acreditar nesse tipo de ideologia. Parece que estamos regredindo à idade média, com direito às tochas e tudo mais.

A cereja do bolo foi, é claro, nas redes sociais, onde as pessoas discutiam se os nazistas eram de direita, esquerda, centro, cima, baixo, diagonal… havia pessoas, inclusive, que defendiam a passeata pois temos direito a famosa “liberdade de expressão”. Nesse caso, não seria liberdade de opressão? Se você, que está lendo, defende isso, você realmente acha certo?

Mais tarde, um grupo antifascista acabou entrando em uma briga com o grupo da “supremacia branca”. A briga chegou a um ponto tão estupidamente violento que um carro simplesmente atropelou uma multidão que era contra o protesto. Resultado? Vários feridos e uma morta.

Fonte: Reuters

Agora eu faço a pergunta de ouro: qual a diferença para esses imbecis extremistas para os imbecis extremistas do Estado Islâmico? Vivemos em uma época extremamente assustadora. O presidente da maior potência mundial parece não ligar para que isso aconteça, afinal, a América é para os americanos. Ao mesmo tempo, o líder de uma sub-potência chama Coréia do Norte troca farpas com o presidente mais bem armado do mundo e traz de volta o estado de paz armada ao mundo. Como lidar com isso? Como lidar com as pessoas que apoiam massacrar pessoas diferentes? Perguntei a um professor de sociologia meu e ele me disse que não há discussão com pessoas assim, a solução tem que ser na força bruta. Será?

Sinceramente, mesmo após anos de história, duas guerras mundiais e outros incontáveis conflitos, catástrofes naturais e seja mais o que for, o ser humano ainda não aprendeu a lidar com as suas diferenças e nem a conviver consigo mesmo. A pergunta que fica na minha cabeça é: quando nós iremos aprender? O extremismo nunca levou a algum lugar que fosse positivo e não será agora que levará.

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