Por que o Brasil é um país atrasado?
Resumo sobre um capítulo de “A Construção Política no Brasil”, de Luiz Bresser-Pereira

Você já se perguntou por que o Brasil, um país que praticamente tem de tudo para prosperar, é connsiderado atrasado em diversos aspectos? Durante meu curso de jornalismo, li um capítulo deste livro que clareou bastante minha mente. Aqui, faço um pequeno resumo para clarear a mente de mais pessoas.
As origens coloniais do atraso
O autor inicia o capítulo explicitando que a revolução industrial e nacional (denominada “revolução capitalista”) é o marco capitalista necessário para alavancar o desenvolvimento e, por consequência, estar à frente de outros países na corrida selvagem pelo desenvolvimento.
Nos países considerados “desenvolvidos” de hoje, essa revolução se deu bem cedo. Portanto, o momento decisivo do Brasil que selou seu destino se deu lá no início, na época da nossa colonização.
Explicação estruturalista: colonização mercantil
Bresser-Pereira faz um resgate histórico comparando as colonizações empenhadas: a de povoamento, que visava trazer o desenvolvimento à terra nova, e a de exploração mercantil, que visava apenas a exploração para obtenção de lucro. Em nações desenvolvidas e estáveis, como os EUA e Austrália, a colonização de povoamento foi empregada. No Brasil e em outras nações subdesenvolvidas atualmente, foi empenhado o segundo tipo de colonização, o que criou um abismo eterno entre nós e as nações desenvolvidas.
O atraso, segundo ele, ocorreu nos três séculos em que fomos colônia do imperialismo mercantil. Devido ao clima considerado complementar ao da Europa, aqui foi possível a produção de bens agrícolas de alto valor como açúcar, pimenta, tabaco e etc. Para isso, o trabalho escravo foi arduamente utilizado e o sistema de latifúndios foi implementado. Em contrapartida, nos Estados Unidos, devido ao clima semelhante ao da Inglaterra, foi permitida uma base que se constituía da pequena propriedade familiar e que, posteriormente, levou à formação de uma sociedade integrada. Aqui, não era incentivado ou criado nada que fomentasse o desenvolvimento, enquanto apenas a elite se beneficiava com o acúmulo de riquezas. Portanto, o mantimento do capitalismo mercantil não criou o terreno necessário para a revolução capitalista e, portanto, ocasionou o atraso.
Do século XVIII para o XIX, Brasil e EUA possuíam cenários fortemente distintos. Ao norte, já havia ocorrido uma revolução nacional, com independência declarada, e havia instalado um mercado interno bem estruturado, um bom nível educacional e uma preparação para a revolução industrial. No Brasil, havia uma pequena elite participando da cultura e consumo advindos da Europa, enquanto a população permanecia sem educação e sob uma economia de subsistência.
Explicação nacionalista e imperialismo
O autor então continua sua tese tratando sobre o imperialismo. Segundo ele, agora há um novo fator que atrasou o desenvolvimento dos países que hoje são subdesenvolvidos: o imperialismo por hegemonia. Esse, segundo ele, significa:
“Subordinação desse povo por meio de hegemonia ideológica exercida pelo império sobre as elites locais, que passam a adotar políticas públicas que interessam antes ao Império que ao país assim dominado” — Luiz Bresser Pereira
Ou seja, através da supremacia obtida pelo desenvolvimento, os países desenvolvidos submetem ideologicamente as elites dos países em desenvolvimento, passando a adotar medidas que beneficiem os desenvolvidos. Aplicando esse conceito para os dias atuais, líderes de países desenvolvidos pressionam os líderes de países subdesenvolvidos a adotar políticas e reformas liberais para beneficiar os desenvolvidos — reformas essas que nem foram aplicadas no passado pelos países desenvolvidos.
Os países desenvolvidos buscam esse imperialismo por hegemonia por causa de alguns fatores. Segundo Luiz, há dois fatos básicos: ocupar os mercados internos dos países em desenvolvimento, seja através de multinacionais ou empréstimos, e ter mão de obra cara, pouco competitiva em relação à mão de obra inferior dos países em desenvolvimento.

Século XIX e explicação institucionalista
O autor agora explica como as instituições brasileiras não garantiram a propriedade e os contratos necessários para o desenvolvimento. As instituições são uma engrenagem essencial na máquina do desenvolvimento, logo, instituições que falham acabam atrasando mais ainda o desenvolvimento. A educação dos EUA em 1820, por exemplo, era bem superior se comparada a do Brasil.
É importante entender aqui que o desenvolvimento econômico não depende apenas da garantia da propriedade e dos contratos. São instituições importantes, mas não suficientes. O mercado não se encarrega de desenvolver uma sociedade com instituições falhas. É necessária uma estratégia, um plano de desenvolvimento nacional para que as falhas e atrasos sejam superados e o desenvolvimento aconteça — movimento denominado “catch up”.
O legado da escravidão
Por último, o autor aborda as consequências da escravidão no Brasil. Aqui, a sociedade mercantil-escravista da colônia se manteve no poder por muito tempo. O sistema escravista foi o pilar que mantinha as elites latifundiárias em amizade com o Estado, mas também era o obstáculo mor no desenvolvimento por não criar mão de obra educada ou mercado interno.
Apenas depois da abolição tardia da escravatura que o Brasil passou a sentir o gosto do desenvolvimento econômico. Contudo, graças à herança colonial e escravista, a elite imperial brasileira não tinha uma ideia clara do que era uma nação. O complexo de inferioridade, que estava presente de forma gritante, somado ao caráter mestiço da população criou uma deficiência em estabelecer uma identidade e em criar um projeto nacional para se desenvolver. Em 1930, quando foi realizada a revolução capitalista no Brasil, era necessário enfrentar o atraso econômico e também a profunda desigualdade da sociedade.
Assim, o autor constata que nas nações desenvolvidas houve, desde cedo, um preparo da população para o capitalismo, enquanto que nas nações mais novas que ficaram à mercê das desenvolvidas, isso não ocorreu. Somando isso à herança escravista e colonial, é explicado então o motivo do atraso econômico.

