aquele do pela janela

Desde menina eu sempre gostei de ficar perto de janelas. Podia ser no carro, no consultório de um dentista ou até quando eu ia visitar a casa da minha avó. Elas estavam sempre por perto. Parece que a curiosidade de olhar pela janela é o primeiro passo para querer descobrir o mundo lá fora.

Com o tempo, a janela vai ficando pequena e a gente começa a sentir uma coceira no pé. A vontade não é mais só de olhar. A gente fica com vontade de abri-la para sentir como é o outro lado. E aí a gente viaja.

A gente viaja em busca do novo. A gente viaja com a nossa própria companhia ou com outras. Viaja por um final de semana, para esfriar a cabeça nas férias de 15 dias ou para estudar por alguns anos. Só que quanto mais a gente viaja, mais a coceira aumenta. O que era para ser um incômodo torna-se um encantamento.

E o pé que antes coçava, passa a ter asas.

Essas asas nos levam para conhecer as paisagens mais lindas, nos apresentam os personagens mais improváveis e nos faz experimentar os sabores mais deliciosos. Essas asas nos mostram que é no encontro com o outro que a gente se constrói e que cada vez que a gente se perde pelo mundo, a gente vai se encontrando. Quando a gente voa por aí, a noção de casa acaba se tornando um pouco confusa. Nossa casa deixa de ser um espaço físico para se transformar em uma junção de pessoas, lugares, experiências e sensações.

A gente se sente em casa aqui, ali ou em qualquer lugar.

Fomos criados no mundo e para o mundo. Quando a gente é assim a asa não fica só no pé. Ela não sossega enquanto não abraça a alma. E não importa o quão longe de fato a gente esteja de casa, basta um olhar pela janela para lembrar que mais importante do que criar raízes é espalhar sementes pelo mundo.