caroline pellizari
Aug 27, 2017 · 2 min read

a intensidade só me fez mais covarde

a vida não passa de coadjuvante quando me obrigo a viver alguém, nesse momento me distancio de toda e qualquer realidade. por isso a intensidade é uma faca de dois gumes, é lindo sentir muito, mas é inegável a presença da morte em todo sentimento.

e agora sei que nem um texto é cruel demais quando o auto-conhecimento é maior que qualquer reafirmação de reciprocidade.

porque a insegurança chega de mão dada com a força do sentir, então eu amo tanto que nem consigo enfrentar esse feitio de cabeça erguida. amo tanto que atribuo um nome diferente a toda borboleta que surge na minha barriga. amo tanto que sei que o amor é puro egoísmo.

pois se pensar que nós só vemos as coisas em relação a outras coisas, incluindo nós mesmos, ninguém teria determinadas características se não houvesse alguém completamente contrário às nossas ações. assim como não haveria amor se não houvesse seleção do que desejamos ter e ver no outro.

mas tudo bem, é normal amar aquele que não existe.

por conta disso, creio que a maioria das pessoas dizem que o amor é cego, pois elas escolhem o que desejam amar e escondem características que não estão inclusas em suas necessidades.

o amor é cego por puro egoísmo.

acreditar nessa interpretação me faz não saber mais qual é o sentido de sentir tanto sendo que agora eu entendo a razão de querer sentir.

talvez eu perca a motivação pra criar borboletas depois disso.

talvez agora eu comece a escapar.

mesmo sem nunca entender qual é o motivo do meu escape, mesmo desconhecendo a força que me expulsa de todos, acredito que em algum momento nós aprendemos como fugir. então deve ser a partir da minha mania de escapismo que me desfaço de tudo. por que eu fui ensinada em algum momento que as pessoas gostam de sentir a falta de alguém, então eu nunca me faço completamente presente.

aliás, nem acredito mais em presença.

serei obrigada a me desafiar a querer explodir sentimentos novamente.

a intensidade só me fez mais covarde.

)

caroline pellizari

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escrevo porque não falo

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