Falsos documentários.

Um dos gêneros mais interessantes e pouco explorado do cinema e Tv, é o falso documentário. Trata de uma filmagem que simula uma realidade, podendo utilizar situações reais, com personagens fictícios ou situações totalmente falsas. Um dos maiores exemplos de sucesso do gênero é o filme “Borat”, personagem criado pelo ator Sacha Baron Cohen. “Borat” foi introduzido na Tv primeiro, com sketches rápidas no programa “The Ali-G Show”. O personagem é um repórter do Cazaquistão, totalmente politicamente incorreto e se envolve em situações que testam, principalmente, o povo Americano. Seu ódio por judeus, seu comportamento machista e misógino traz para a tela uma realidade vivida por várias culturas, mas acima de tudo, “Borat” mostra como o preconceito está instalado na sociedade. Obviamente que Sacha Baron Cohen não pensa como seu personagem, ele mesmo é judeu!

Outro grande sucesso, mas dessa vez na Tv, é o seriado “The Office”. Tendo duas versões, americana e britânica, a série traz um ambiente de trabalho, com pessoas totalmente estranhas, em várias situações cômicas. A versão americana conta o ator Steve Carrell, que transmite muito bem a sensação de realidade para a série. Ele faz o papel do chefe, totalmente irritante, piadista, mas sem timing. Também como “Borat” ele tem uma visão machista que é transmitida de uma forma bem humorada, tendo em vista que muitas mulheres trabalham na empresa de papel e ajudam demais o personagem. Novamente uma crítica inserida. Eu não vi a versão britânica, mas posso deduzir que ela tenha muito mais disso, já que o ator principal é o comediante Ricky Gervais, conhecido pelo seu humor negro e muito ácido. Ele também consegue transmitir uma realidade pro personagem. Ricky levou o personagem “David Brent” para o cinema com o filme “Devid Brent’s life on the road”, que mostra a vida dele no futuro, tentando seguir uma carreira musical, que é obviamente frustrante. Também em forma de falso documentário.

Após me interessar pelo gênero comecei a procurar outros filmes e séries, mas encontrei poucas produções. Algumas não tinha como assistir, então só lendo mesmo para saber. Um dos filmes que consegui ver era “This Is Spinal Tap”, um falso documentário sobre a turnê desastrosa de uma banda. Não achei tão bom quantos os outros, tem seus momentos, vale mais por completar a lista de filmes. Outra filme é “Zelig” do Woody Allen. Esse filme tem muito mais a característica de documentário, com entrevistas, cenas de Tv, recortes de jornais. Ele é de 1983, talvez o mais antigo que tenha visto. Por fim, encontrei um diretor neozelandês que estava pra lançar um filme do gênero, “What We Do In The Shadows”. O filme trata de um falso documentário sobre vampiros. É excelente, tem uma característica diferente, por de tratar de um filme da Nova Zelândia, o humor dele é um pouco diferente. Com um toque mais britânico, é muito bom. Os efeitos do filmes são legais, sangue jorrando, os vampiros voando, se transformando em morcego.

Algum tempo depois vejo que o direto do filme, Taika Waititi, iria ser o diretor de “Thor 3: Ragnarok”. Interessante! Como teaser do filme eles divulgaram um falso documentário sobre o que Thor fez durante os eventos de “Capitão America 3: A Guerra Civil”. Ele faz muito bem! É muito divertido, tem um toque de “What We Do In The Shadows” que é legal, mas nem todos vão pegar a referência. O crédito final de “Dr. Estranho” também traz um teaser que se assemelha ao teaser de “Thor 3”.

Pra terminar, acho que vale a pena comentar a tentativa do Casseta e Planeta de fazer algo parecido, com a série “Procurando Casseta & Planeta” transmitida pelo Multishow. É boa, por se tratar de uma das primeiras (ou a primeira, não sei) produção brasileira desse estilo. Acho que ela não tem a essência realista que “The Office” tem. Mas é algo bem difícil realmente. Você tem que atuar pra ser natural, acho que o trabalho de câmera também faz muita diferença. Quem sabe ela não abre caminho para outras produções do gênero?!