A breve história do por que The La’s é um dos melhores álbuns de estreia que eu já escutei.


Por que simplesmente funciona.

É quando você direciona uma busca ansiosa e rápida por algo velho que seja novo e se cansa de procurar pelo 200% prazeroso de se escutar, mas que na ultima tentativa antes de se render ao sono, encontra aquilo pelo qual você não sabia que estava procurando.

Foi assim que The La’s apareceu pra mim.

There she goes. Ha! Minha mãe conhece essa música, mas não sabe quando foi lançada ou quem canta. É aquela baladinha que incontestavelmente gruda na cabeça antes que você conheça o resto (embora saiba que exista) e que fez parte de uma tonelada de trilha sonora dos anos 90 e até 2000 com Gilmore Girls. É facilmente identificável.

Mas você não ganha noção do real contexto de um single até escuta-lo junto com o álbum.

As coisas mudam.

Há uma sensação recorrente de que The La’s é o disco perdido da pré era de ouro do brit pop. Uma sensação única de existência de antecedentes influenciados por ritmos acolhedores e familiares de um tempo que não pertencia totalmente ao controle de um só gênero

Há uma síntese imaginária com a saudade de um passado meio madchester e uma paixão pelo ritmo mais acelerado de uma raiz blues, pop e oitentista (The La’s teve grande parte da carreira 'estabelecida' nos anos 80).

Uma coisa que não saiu da minha mente foi uma definição que o vocalista deu acerca do som da banda.

“Rootsy”

Faz sentido, The La’s lembra muito a música britânica dos anos 60, tem uma acústica diferente que se torna aprazível e única. Se porta como esteticamente rítmica mas ao mesmo tempo se mantém em uma linha diferente de evolução em relação à própria origem. Me fez pensar nas bandas antes deles. Não é de feitio comum achar bandas como The La’s e conseguir criar uma associação que pertença à uma linha de tempo convencional e justifique a evolução da música até chegar ali.

Imagine que os anos 60 invadiu a Inglaterra novamente nos anos 90 e conseguiu se metamorfosear através de álbuns como esse.

Por que é essa a sensação.

Exceto que é diferente.

Todo mundo sabe que não há sentimento mais encantador do que escutar um álbum e se apaixonar como se fosse a primeira vez.

Escutar The La’s com um contexto histórico ajuda a aliviar parte da dúvida sobre de onde vêm tamanha peculiaridade, mas escutar pela primeira vez e ter a sensação de que você não consegue ser apático com nenhuma das músicas que compõem o álbum é sinal de que você já pode inserir aquele fragmento de “paraíso” no seu campo de percepção e absorção junto à totalidade de conhecimento que você possui em relação à música que você ama.

The La’s completa a totalidade.

Não briga pela excentricidade. É simples e radiante. Entusiasmado.

Alterna entre uma composição que mistura o folk e blues sem moderações e que flutuam sob delicadeza dos detalhes atemporais. Faz você sentir falta de algo que nunca escutou antes, e nessa jornada, você percebe que não há nenhum álbum como The La’s nos anos 90 que tenha apreciado tão bem as suas “raízes” .

As melodias são como fragmentos de diferentes memórias e imaginações que flutuam em uma sensação já “arquetipicamente” conhecida (Jung explica). Mas nessas memórias, os sentimentos são ora atemporais, ora crescentes de acordo com a identificação com o comportamento do som, isso por que o álbum não busca ser exorbitante, inovador. Ele é balanceado, acusticamente perfeito, bem mixado e sólido ao propósito de se manter extremamente bom no simples

Ele é o que é et rien de plus!

Em sua totalidade, consegue se comunicar com meros e simples amantes da música, se torna gracioso e peculiar. Faz o tempo se mesclar com os sentimentos e presenteia ao mundo um pequeno exemplo de como “qualidade” é um termo relativo e, por vezes, até mesmo insuficiente para ilustrar que os melhores álbuns são aqueles que simplesmente funcionam.