romance sem corpo

“Um dia conquistarei minha liberdade. Acredito que vai acontecer em breve e espero que não te perca até lá”

Respondeu docemente a essas linhas. Nada perguntou, mesmo tendo interrogações pululando dentro de si. Não decidiu apenas acreditar nele, e correr o risco de estar sendo colocada como plano B ou C… Relegada à posição de espera, travestida de Penélope…

Resolveu que se relacionaria com aquele texto. Com a imagem de homem que seu coração projetava sobre aquele ser que digitara as letrinhas. A. B. não existe. Existem essas palavras, como as dela que vieram em resposta: “Só me perderias se não me quisesses. E se assim fosse, não seria uma perda”.

Ele e ela estavam tecendo um romance sem corpo — ou melhor: o corpo do romance era constituído por palavras, e as imagens que estas invocavam. Ele é o ser que só existe nesse mundo digital das ondas da internet e das mensagens de texto. A única conjunção carnal é a da imaginação dela. Num romance de cavalaria invertido ela seria a cavaleira andante que dedica suas batalhas não a uma dama ideal, mas a um doce rapaz.

Se nunca mais nos virmos, habitaremos os livros, como Heloísa e Abelardo.

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