Corrói.

Sinto que estou desperdiçando minha vida. E isso me corrói. Arranha minha garganta como se gritasse para ser escutado. Explode em minha cabeça como se quisesse minha total atenção.

Eu tentei, tá legal? Tentei de todas as formas, apostei tudo que tinha. Eu caí e levantei repetidamente. De novo, e de novo, e de novo. Mas o buraco foi ficando cada vez maior, até que me soterrei em minhas tentativas. Eu chorei, argumentei, fiz tudo que podia, mas não sou dona de mim.

Então, eu desisti. Parei de lutar. Mas ele não parou. Ele não consegue ficar em silêncio. Me acompanha dia e noite. E é ele que me faz querer suportar. Que me dá raiva que não consome maldade. Que me dá dores de cabeça sem solução. Ele me diz que falta pouco, porém esse pouco também pode ser pesado. Me conta histórias de como poderia ser, e me faz querer as transformar em minhas histórias. Segura minha mão, mas solta de vez em quando. Me dá forças e aumenta minha fraqueza. Ele se tornou parte de mim.

Ele, sou eu.

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