Como vim parar em Groningen [parte 1]

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Antes de vir morar aqui tive a difícil decisão de escolher entre Groningen e Helsinque. Parece ridículo chamar esta opção de “escolha difícil”, mas quando você tem uma vida confortável em São Paulo, cujos dramas são basicamente psicológicos, optar por uma nova cidade é uma grande tarefa. Toda a sua vida vai mudar. Dá bastante trabalho atravessar um oceano para um país novo, num idioma estranho, onde não se conhece ninguém: não há referências familiares, e a disposição para se expressar sempre em inglês precisa estar 100%.

Há um ano, quando fui embora da capital da Finlândia depois de três semanas fazendo um curso sobre globalização e mídia na Universidade de Helsinque, tinha a mais absoluta certeza de que moraria lá. Amei cada momento no verão de 24 graus daquele lugar austero, de construções de ar russo em tons pasteis. Havia uma espécie de paz no fato de poucas pessoas caminharem nas ruas de bairros mais afastados da região central, como o pacato e arborizado Munkkiniemi, onde o arquiteto-ícone do país, Alvaar Alto, construiu várias de suas casas.

Helsinque, típica cidade nórida com a iluminação pública pendurada no meio das ruas

Uma ordem, um rigor quase matemático que nem o azul profundo do ceu de verão nem o sol super brilhante conseguiam afetar. Super brilhante não é uma metáfora, já que não havia noite totalmente escura em agosto: a partir das 23h30, um lusco-fusco constante, como o roxo do entardecer de inverno no Brasil, se instalava sobre a cidade e lá permanecia, até às 4h30, quando então a luz branco-amarelada do sol aparecia com toda a força, invadindo meu quarto no dormitório da universidade e penetrando pela máscara de dormir.

Fora isso, as ruas centrais de Helsinque tem um ar elegante que, imagino, só aumente à medida em que a temperature diminua: uma finesse contida, a exemplo do seu povo natal, consideravelmente diferente de Estocolmo, segura de si e mais imponente. Sem contar a presença constante de áreas verdes que eu via pela janela do ônibus no meu caminho para as aulas — outra vez, distinta da capital da Suécia, onde a água do Mar Báltico é o elemento central a interligar suas várias ilhas.

Helsique e natureza: dá jogo

(Em breve, a parte 2.)

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