Desde sexta da semana passada, começaram a pipocar cartazes em Groningen — em hotéis, em postes pelas ruas, na entrada da biblioteca central da FACUL — com a fotografia do rosto de um adolescente desaparecido. Ele havia sido visto pela última vez na Poelestraat, uma espécie de RUA AUGUSTA, alguns dias antes.
Hoje, ao caminhar para a faculdade, avisto uma muvuca em uma das pontes que passa sobre o canal vizinho à minha casa: carros de polícia, faixas tipo “crime scene, do not cross” e uns vinte curiosos tentando fotografar algo com seus telefones. Mas a quadra estava toda cercada pela polícia, era impossível chegar perto de qualquer coisa supostamente fora do comum, quem dirá dar um zoom com o smartphone.
Perguntei o que havia acontecido e descobri que tinham acabado de encontrar o corpo do rapaz dos cartazes naquele canal. Tipo Dexter. Saí de lá pensando “já imaginou se ele é ligado a uma das associações estudantis?”, mas logo me desfiz da ideia.
No intervalo da aula, um colega me conta que o adolescente era, sim, de uma das fraternidades, a Vindicat. Mas não se sabe se a associação está envolvida no óbito, o que seria uma conexão possível, dado o tanto de notícias que têm aparecido sobre os rituais de iniciação violentos.
Minutos depois a Universidade manda um e-mail para todos os alunos sobre vários tópicos, um boletim informativo. Uma das notas dizia que a instituição quer tornar Groningen a primeira cidade na Holanda completamente livre de trotes e da violência física e mental a que os adolescentes são submetidos. Mórbida semelhança.
MORAL DA HISTÓRIA: tão achando que morar em uma cidade do interior onde os patos passeiam pela rua é monótono? VAI VENDO.