Fazendo super em holandês

Fazer supermercado em um idioma estrangeiro é uma aventura. Não propriamente emocionante, mas interessante e um tanto cansativa. As mercadorias estão todas em holandês, é claro, o que é um tanto desesperador, ainda mais para um diabético que precisa ler os rótulos para saber o quanto de açúcar foi empregado na fabricação do iogurte, do suco, do pão. *Koolhydraat* significa carboidrato, o Google Translator me informa, e então é nesta palavra que foco minhas buscas nas embalagens, porque são os hidratos de carbono que viram açúcar no sangue.

Para alguns itens você vai no olho, e outros são relativamente óbvios: *melk* é leite, *vollemelk* é leite integral (deduzi que *volle* vem do inglês *whole*), pão é *brood*. Mas como se diz sal? *Zout*, e não havia embalagem de *salt*, em inglês, para me salvar.

É claro que fico louco com a quantidade de produtos nos supermercados da Holanda em comparação aos do Brasil e quero experimentar todos, mas uma coisa por vez. Há três supermercados principais em Groningen — Albert Heijn, mais caro; Jumbo, intermediário; e Lidl, mais barato. Vou focar no primeiro e no último, porque o Jumbo não me chamou tanto a atenção, embora eles sejam os únicos a vender potes com minhocas e insetos junto da seção de carnes — servem como comida de tartaruga.

É interessante notar que mais caro não significa melhor. A qualidade das comidas prontas é igual no Albert Heijn e no Lidl, as seções de laticínios e farináceos no Lidl são muito boas e as saladas prontas são tão grandes e gostosas em um quanto em outro. Observo uma diferença na apresentação dos produtos e na iluminação dos ambientes.

No AH, a maior rede de supermercados holandesa, fundada em 1887, as mercadorias são milimetricamente dispostas nas prateleiras e a luz é amarela, quente, confortável, além de o volume da música ser agradável. No Lidl, cadeia alemã com 10 mil lojas presente em 28 países europeus, as caixas dos produtos são empilhadas umas sobre as outras, fazendo as vezes de prateleiras, o visual do lugar é mais frio, com luz branca de padaria mas como se um dos bulbos estivesse queimado, e a música… é só uma narração comentando as promoções. Os quesitos secundários foram deixados de lado — afinal, se vai no mercado atrás de itens do dia a dia — para focar no que importa: encher a cestinha sem esvaziar o bolso.

No entanto, desconfio que minha preferência pelo Lidl se dá por dois motivos: primeiro, o logotipo se parece com o de uma marca de brinquedos, meio tosco; segundo, pela localização da loja perto de onde moro, entre uma rodovia e um bairro residencial, quase um pátio dos fundos da cidade. Na caminhada até lá, atravesso uma zona industrial com terrenos vazios, paredes grafitadas e uma espécie de mini bairro com casas em contêineres. (Fico imaginando como é morar num contêiner, mas por via das dúvidas me parece todo mundo descolado.)

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