Alden Ehrenreich viverá um jovem Han Solo no cinema, mas com certeza não será Han Solo.

Existem papeis que podem ser interpretados por diferentes atores. Este não é um deles.

Se você tá ligadinho nas novidades dessa NAVE LOUCA™ do mundo da Cultura Pop já deve estar sabendo que o ator estadunidense Alden Ehrenreich, famoso (ou quase) por Ave, César e Dezesseis Luas, foi o escolhido pela Disney para carregar a pistola e o colete de Han Solo no vindouro spin-off, focado no caçador de recompensa, do universo Star Wars.

Se não, bom, você deveria, porque essa decisão é de extrema importância para o plano da Casa do Mickey de estender as histórias do universo de titio George Lucas até, virtualmente, O INFINITO.

A primeira prova dessa empreitada, aliás, virá ao final deste ano, com Star Wars: Rogue One. Introduzindo personagens inéditos em uma história paralela aos eventos do Episódio IV: Uma Nova Esperança, o filme tem tudo para ser um respiro de originalidade depois de anos sem novas história oficiais da saga nos cinemas (sim, porque O Despertar da Força é ótimo, mas é mais do mesmo, né?). Entretanto, convenhamos, será no filme solo de HAN SOLO, que vamos de fato sentir como a Casa do Mickey se sai revisitando não só ambientações, mas PERSONAGENS, da trilogia original.

Sorriso de um cara MISTERIOSO

Veja, uma das muitas coisas que fazem do universo Star Wars algo tão magnífico, é com certeza a sua VASTIDÃO. Inúmeros são os personagens que dão as caras nos filmes e igualmente inúmeros são aqueles que nos interessariam em saber mais sobre eles. Todos gostaríamos de conhecer detalhes da história de Boba Fett tanto quanto gostaríamos de saber sobre aquele CAPETÃO da cantina de Mos Eisley (que foi tirado do filme pelo titio George em algum Blu-Ray aí).

É por isso que, mesmo que a Disney vá em frente com seu plano de transformar o universo SW em algo eterno nas telonas, eu até consigo ter fé que isso possa vingar (mesmo a ideia sendo MEGALOMANÍACA demais). O que eu não consigo comprar é a ideia de que um filme protagonizado por um jovem Han Solo seja o melhor primeiro (ou segundo, ok) passo para isso.

No cinema, existem casos e casos para TUDO. Quando se fala de personagens icônicos, há aqueles capazes de transcender as amarras que os ligam a um único ator — como James Bond conseguiu, ainda que com dificuldade, lá nos anos 70 (e vem fazendo desde então) — e aqueles que não, como Rocky Balboa, o T-800 de O Exterminador do Futuro, ou Indiana Jones.

E sabe o que esse último tem em comum com Han Solo? Pois é…

Simples, bonitão, despojado, carismático e TALENTOSO PRA CARVALHO, Harrison Ford conquistou George Lucas nessa ponta em Loucuras de Verão (American Graffiti), de 1973, dirigido cineasta/rancheiro. Foi com ela que ele conseguiu a chance de ler para o papel de Han e, consequentemente, viver o caçador de recompensa nas telonas, em 1977.

Idealizado como “um solitário que passa a entender a importância de ser parte de um grupo e ajudar aos outros pelo bem comum”, segundo Lucas, o personagem seria, inicialmente, um coadjuvante de luxo da saga (tendo tido até duas mortes e uma substituição planejadas, com Lando Calrissian assumindo sua função na trama), mas o carisma de Ford provou-se tão grande, que ele não só ECLIPSOU Mark Hamill e seu Luke Skywalker, como tornou-se a maior estrela da saga.

Não importa onde você olhe, de onde você tire sua referência, é a imagem de Ford que acompanha ORGANICAMENTE a ideia de Han Solo. Quadrinhos, livros, brinquedos, produtos licenciados em geral. Absolutamente tudo ligado ao personagem, desde 1977, tem a cara do ator. E quem viu O Despertar da Força só teve reavivada a memória e a noção de que não há, verdadeiramente, um sem o outro.

Por que a versão mais jovem parece mais velha que a mais velha, cara?

A história reza que, antes do próprio Ford vestir o chapéu e empunhar o chicote que o consagrariam como Indiana Jones, Lucas e o outro gênio responsável pela franquia, Steven Spielberg, queriam que Tom Selleck, o eterno Magnum (o com bigode, não o de chocolate), vivesse o personagem. E eu acho que, nesse mundo alternativo, tudo se sairia bem, mesmo desem Ford. Protagonista de uma série centrada totalmente nele, é muito mais fácil fazer com que Jones, independente de seu intérprete, se torne um ícone.

Agora, tirar Harrison Ford da equação de sucesso de Han Solo, um personagem que brilhou tanto (até quando não deveria) mesmo entre outros destaques, é negar que isso se deu muito mais graças ao intérprete que ao personagem.

Alden Ehrenreich é um jovem ator, extremamente promissor. Considerando o trabalho excelente que a Disney tem feito com o casting de suas grandes franquias, não tenho dúvida de que ele vá convencer interpretando o caçador de recompensas. O filme, por sua vez, CERTAMENTE dará muita grana. Mas independente de tudo isso, será sempre o longa em que Ehrenreich interpreta Han Solo.

Só Harrison Ford É Solo. E todos nós nos lembramos do porquê no ano passado (e da forma mais traumática possível). Por isso, talvez fosse um melhor ponto de partida optar por contar qualquer outra das vastas histórias secundárias do universo de Star Wars neste segundo spin-off. Podia ser sobre o Boba. Podia ser sobre o Jango. Podia ser sobre o diabo da cantina. Raios, podia ser do Obi-Wan, cacete!

Ao menos, podia ser alguma que PRECISASSE ser contada.

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