O laranja é o novo preto

Quando eu ouvi falar de Orange is the New Black pela primeira vez, já imaginei um Oz lésbico: Muita violência, drogas, drama e sexo, é isso que geralmente é retratado quando o tema é a vida na prisão. Mas essa série conseguiu inovar, abordando esses assuntos de uma maneira mais leve, porém sem esquecer da carga dramática.

Orange (vou começar a chamar só de Orange, o nome é grandimais) conta a história de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma mulher de classe média-alta, noiva de um escritor, que é presa por um crime cometido há 10 anos, quando namorava uma traficante de heroína. Na cadeia ela reencontra essa ex-namorada, Alex (Laura Prepon), e, além de ter que lidar com a mudança de vida, tem que resolver seu lado emocional e afetivo. A história é baseada na vida de Piper Kerman, filha de uma família relativamente rica de Boston, que envolveu-se com a traficante Nora Jansen. Após ter sido presa em 98 por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, ficou pouco mais de um ano em uma prisão de segurança mínima no interior dos EUA.

Além de Piper, Jenji Kohan (criador da série, conhecido por seu trabalho em Weeds) mostra a vida em uma prisão de segurança mínima, onde as detentas possuem um nível de liberdade um pouco maior do que normalmente é retratado em séries. Apesar dos personagens um pouco estereotipados, parece haver um cuidado em individualizar cada prisioneira, o que acaba causando uma empatia no espectador.

O que me chama atenção na história, além da atuação convincente, é o estilo da narrativa. Nos primeiros episódios, o humor aparece de um jeito mais simples, usando artifícios como a escatologia (como em uma cena onde Chapman recebe um bolinho recheado com um absorvente usado, por ter reclamado da comida no dia anterior), mas conforme a história avança, a ligação com os personagens e a carga dramática aumentam, e o humor se faz presente de uma maneira mais sutil. Como havia dito anteriormente, há violência, corrupção, abuso sexual, drogas e outros problemas comuns à vida em um presídio, mas os temas são apresentados de uma forma natural, dentro de um contexto, sem fazer com que se tornem um elemento essencial na narrativa.

A série também utiliza os flashbacks de uma forma bem interessante, mostrando a vida pregressa de algumas detentas, fornecendo um suporte para os personagens.

Uma das minhas personagens favoritas é Crazy Eyes, interpretada por Uzo Aduba. Como um espelho do próprio seriado, no início ela é retratada de modo exagerado e até caricato, mas conforme a trama se desenrola, acaba mostrando um lado mais sensível e dramático.

Em suma, Orange is the New Black pode até ser visto num primeiro momento como superficial, por não apresentar um ponto incisivo, um foco seja no humor ou no drama. No entanto, esse equilíbrio entre os dois acaba fazendo com que ela torne-se uma série bastante agradável de ser assistida, e por uma gama bastante grande de pessoas e gostos diferentes.


Originally published at sobrecomedia.com on October 10, 2013.

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