Quando o fim se aproxima — parte 01

Há alguns meses, foi anunciada a extinção da MTV Brasil, no formato em que é veiculada atualmente. Diversos programas foram cancelados, apresentadores foram demitidos e hoje a emissora conta com pouquíssimo conteúdo original, dos remanescentes do grande passaralho do canal.

Coincidentemente (ou não), isto aconteceu após a debandada, no início do ano, de três figuras centrais do humor da MTV: Tatá Werneck, Dani Calabresa e seu esposo Marcelo Adnet. Minha opinião é que a MTV acabaria ganhando em qualidade com isso: O Furo MTV mudou seu formato para uma linha menos “jornalística”, e a presença de Daniel Furlan, Bruno Sutter e Paulinho Serra transformou o programa em uma sequência caótica de pequenos esquetes e piadas rápidas (e outras nem tanto, como uma piada sobre o conteúdo de uma caixa misteriosa que foi propositadamente arrastada durante semanas, para no fim de se revelar ser apenas um videoclipe dos integrantes do programa). Além do Furo, o Último Programa do Mundo mostra um humor ainda mais sem sentido, como a busca pela fita de teste de Bruno de Luca na MTV ou a leitura de trechos do livro de André Marques.

Essa fluidez, essa falta de rigidez em relação ao formato dos programas, criou um contraponto com o humor da equipe de Adnet. Por exemplo: no final do ano passado, a Comédia MTV exibia uma falsa sitcom em inglês que tinha a intenção de satirizar os lugares-comuns deste formato de humor, mas que acabou tornando-se exatamente um lugar-comum, além de dar a impressão que só servia para mostrar o quanto o Adnet sabia falar em outros idiomas.

Com o anúncio do encerramento das atividades da MTV, aconteceu algo bastante interessante: Liberdade. Com poucas ou nenhuma restrição, os humoristas começaram a fazer piadas com a situação da emissora, com assuntos delicados, com temas que talvez não fossem abordados se tudo já não estivesse indo na direção do fim. Essa liberdade acabou revelando um humor mais espontâneo, mais rápido, mais despretensioso.

Pessoalmente, nunca fui muito fã da MTV (com a exceção de Hermes e Renato), mas me tornei um espectador assíduo dos humorísticos da emissora por terem a coragem de tocar violino enquanto o Titanic afunda.


Originally published at sobrecomedia.com on August 9, 2013.

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