Rosa púrpura da morte ou… Melhor esquecer

O encontro fora auspicioso na medida em que anunciara alvissareira vida nova. 
De alegrias e mesmo felicidades fora feito esse encontro com outra vida em mãos. 
Mas tomou lugar, assento fixo, com a porta virada para a ladeira: 
o cansaço, a loucura, a falta de identidade, de afecção 
mais do que afeto, de parte a parte.
 Veio a cheia, o copo transbordou e não deu mais para engolir 
— essa engenhosa máquina de produzir relações, enfim, para, pifa, 
os leitores digitais anunciam erro — 
até que este laborioso e delicado material sucumbe e se desmancha, transforma-se em matéria volante; 
daí se dissipa e voa rasteiro como neblina da manhã, e se esgueira no chão como metal nuclearmente enriquecido. 
Desce por entre os bueiros para viver entre ratos e insetos fétidos. 
São as últimas vidas com quem vai viver.

O desencontro é isso: um sentimento, um acontecimento, 
feitos de metal radioativo, cancerígeno, 
uma rosa púrpura da morte de duas almas. 
Melhor, sempre, esquecer.

Viamão, 27/10/2015