Diários de uma Kombi 01

Quando no trânsito, geralmente ficamos mais no alto que todo mundo. Quando isso não acontece é porque um ônibus ou caminhão parou do nosso lado.
No segundo dia dirigindo pelas ruas de São Paulo, paramos no farol e uma prima (chamamos assim todas as lindas — e inúmeras — Kombis que encontramos zanzando por aí) parou bem do nosso lado. Pela primeira vez um motorista estava no mesmo nível que a gente, janela com janela.
Ele virou para nós sem pestanejar e disse:
- Nossa, acabei de receber uma multa. Tava ali, falando no celular, e a polícia tava na esquina bem me encarando. Mas nem parei de falar, continuei. Flagrante, né, não tem nem o que fazer. Multa.
Demos a ele nossos sentimentos de kombeiros tristes pela multa porém bem felizes por nos vermos inclusos nesse belo grupo de motoristas, com direito a desabafos no trânsito.

Aliás, ontem recebi uma mensagem de uma revista eletrônica só de Kombi querendo fazer uma entrevista com a gente.
Talvez a gente devesse considerar participar de uma caravana de Kombi também, né, já estamos aí mesmo…

Foto do momento de alegria por conta da sensação de pertencimento e pelas altas aventuras no caótico trânsito paulistano (quando a gente não sabia nem colocar a ré direito).

Mais no centro de São Paulo impossível