A fenomenologia admite que nossa percepção nunca atingirá em nível integral o entendimento total dos acontecimentos mundanos extratos a esfera do nosso próprio eu, pois só o observamos, não experienciamos, a gravidade e a subjetividade estão fora da órbita de nossa compreensão total e mesmo assim ousamos teorizar tudo o que notamos.
Talvez por um sentimento temporal e espacial que inócuo e vazio da local ao existencial, o que fazer da vida senão viver? E viver é ver, notar, perceber, tentar absorver e entender e mesmo sendo uma tentativa incompleta insistimos, pois sucumbir em volta do próprio eu talvez significaria um suicidio moral e civil contra o desconhecido em si, a gente tem tempo e ocupa as horas preenchendo com informações e emoções, inexatas e vezes pertubadoras mas uma vida meramente contemplativa falha em sentido e significação mesmo que não compense é melhor do que o vão.
A razão é conceito vencido aqui, de nada temos certeza, nem mesmo si próprio, nem mesmo a natureza. É como se tivéssemos sujeitos a um experimento extraterritorial, e não é sobre ficção científica ou ordem moral, a admissão de nossa ignorância é talvez o melhor remédio para os nossos ais em todas as acepções que a razão não foi capaz de consumar e concluir.
