Letícia Domingues
Jul 22, 2017 · 2 min read

O amor é um CONCEITO qualitativamente complexo. Não deve de modo algum ser deturpado baseado em experiências subjetivas, pois cada vez que ele acomete, ele acomete alguém e não algo. Ele é real, embora inexplicável e intraduzível formalmente, deveria ser intuitivo mas não universal pois cada vez que se realiza se personifica individualmente e mesmo inalcançável compreensivelmente em sua totalidade ele é reconhecível.

É uma COISA absolutamente irracional, inconsequente, problemática e necessária. Defino por coisa pois me falta descrição fiel ao termo que exteriorizo mas jamais demonstro em realidade e mesmo virtualmente se apresentaria modificado, manipulado.

É preciso um exercício aquém do descritivo e formatado. E não vejo alternativa senão a da fuga de tudo que é conceitual.

O amor não é conceitual.

Afinal o que é conceitual? A ciência? Mesmo essa, demonstrada em probabilidade é passível de crítica e percepção contrária, até quando iremos buscar respostas compreendidas e socialmente aceitáveis em âmbitos inestendíveis ao espaço? Nos encontramos e nos reconhecemos no espaço mas depois dessa atitude percebemos dimensões além desta, e nesta, apenas porque não somos capazes de justapo-las espacialmente devemos negá-las? Ignora-lás? Menospreza-las? Apenas porque nossa consciência e face reconhecida publicamente não consegue explicá-las?

Mesmo que em situações existenciais cada um de nós clame por compreensão e empatia, rogue por ouvidos que se atentem e se importem para um local que os leve a uma indução que não é própria do mesmo e nesse convite perigoso e aparentemente insano conscientemente reconhece em si mesmo sua existência, e em dissertações como esta, tentativas provavelmente vãs, reduzidas a poética e a arte, identifiquemo-nas enquanto transcendentais e todos esses termos dados seriam então meramente filosofias linguísticas mas irreais por serem impalpáveis, racionamos nesse sentido e nos consolamos com isso mesmo, esse movimento confortável que nega a quebra da tradição por orgulho, ignorância ou desinteresse, admitimos essa situação e perdemos por arrogância nossa própria substância, nos prejudicamos para preservar uma humanidade que não passa de repouso em instantes os quais cansemos de investigar por não encontrarmos resultado, o dado dessa equação nunca será dado, no entanto a admissão da omissão do mesmo talvez abrange o que de mais real ele possua.

Letícia Domingues

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É só um eu lírico magoado e despretencioso