Não só não é impossível ser feliz sozinho como é, antes de mais nada, um requisito necessário para poder ser feliz com o outro. Tudo começa com a iniciativa de uma primeira pessoa, desejosa de ficar bem. E, em sequência, desejosa de compartilhar seu bem. Antes de tudo, um de cada vez, precisamos ser capazes de sorrir em nosso próprio tempo. E é depois que, contagiados uns pelos outros, nós podemos sorrir todos juntos.
Se meu avô tivesse se mantido no ambiente tóxico em que estava, se tivesse tentado melhorar os outros e não a si, não haveria paz em suas palavras; não haveria lucidez em seus conselhos; não haveria referencial nenhum, para ninguém, do que é ser saudável. Se você, como eu fiz, insistir em buscar a cura nos outros, projetando e condicionando a melhora interna na melhora externa, é provável que simplesmente se frustre. Se sua alegria depende da alegria dos outros, você está abdicando do controle de sua própria vida e sugando, também, a alegria do outro, que se torna o responsável não só pela própria infelicidade, mas pela sua também. É levar mais peso para alguém que já está afundando.