A barragem trouxe ou não benefícios aos moradores?

Após a construção da Usina Hidreletrica de Itá, a vida dos moradores de Itá e região melhorou ou não? O modo que eles utilizam se diferencia muito do modo que a cidade utiliza?
Crédito: Júlia Weber de Oliveira

O Brasil é um país privilegiado em relação ao seu sistema hidrográfico, com grande potencial para a produção de energia elétrica. Entretanto, as instalações de usinas hidrelétricas requerem um alto custo e provoca severos impactos ambientais e sociais para a região ao seu entorno. Por outro lado, a vida moderna, cada vez mais dependente dos equipamentos eletrônicos e as indústrias produzindo em grande escala, provoca uma crescente demanda por energia elétrica. Por essas razões, o consumo consciente de energia deve ser estimulado, seja no campo ou na cidade, para o bem do meio ambiente.

Há muito tempo atrás, no início no século VI a.C., na Grécia Antiga, o filósofo Tales de Mileto, após varias pesquisas, estudos e testes, descobriu a energia. Energia é um termo que deriva do grego “ergos” cujo significado original é trabalho. Há diversos tipos de energia, entre eles muscular, calorífica, solar, mecânica, química, elétrica e nuclear ou atômica. Em Itá, visitamos a Usina Hidrelétrica que usa a água para gerar energia. Uma Usina Hidrelétrica pode ser definida como um conjunto de obras e equipamentos cuja finalidade é a geração de energia elétrica, através de aproveitamento do potencial hidráulico existente num rio.

O rio que a Usina Hidrelétrica (UHE) de Itá usufrui é o Rio Uruguai, que se forma da junção dos rios Pelotas e Canoas, na divisa dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Além da que visitamos, o rio Uruguai abastece também outras Usinas nos estados de RS e SC, entre elas UHE Campos Novos, UHE Foz de Chapecó e UHE Barra Grande. Porém, em termos de produção de energia, a UHE Itá é a maior delas.

Créditos: Júlia Weber de Oliveira
Na foto: Rio Uruguai onde a usina esta instalada.

Nós, alunos do Colégio de Aplicação, através do Projeto Pés na Estrada do Conhecimento, visitamos as cidades de Aratiba, Erechim e Itá, no dia 02 de junho de 2016, com o objetivo de conhecermos mais sobre a Usina Hidrelétrica de Itá por meio de palestras e entrevistas com moradores e envolvidos, além de descobrir como a energia é utilizada no campo e fazer relações com a tecnologia, acessibilidade e conscientização de cada lugar (campo — cidade).

Segundo o site da Prefeitura Municipal, Aratiba está localizada ao Norte do Rio Grande do Sul, a 420 km de distância de Porto Alegre, sendo um dos municípios da Região Alto Uruguai. Limita-se ao Norte com o Lago do Rio Uruguai, ao Leste com Mariano Moro e Três Arroios, a Oeste com Barra do Rio Azul e Barão de Cotegipe e ao Sul com Erechim. A distância entre Florianópolis e Aratiba é de 640 km. E entre Itá e Aratiba é de 28 km. Itá se localiza na microrregião do Alto Uruguai Catarinense, no oeste do estado de Santa Catarina. Já Itá está localizada no oeste catarinense. Pertencente a microrregião de Concórdia, as cidades vizinhas são, Concórdia, Chapecó e Seara.

Em 19 de setembro de 1987 foi inaugurada a Barragem de Itá, capaz de gerar 1.450 MW de energia que abastece as regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. Para a construção, foi necessário fazer a relocação da cidade para a chamada “Nova Itá”. Os moradores viram a antiga cidade sendo inundada pouco a pouco e, até hoje, esse assunto divide opiniões. A barragem trouxe ou não benefícios aos moradores?

Créditos: Júlia Weber de Oliveira
Na foto: Torres da Antiga Igreja Matriz São Pedro, símbolo turístico da cidade. A igreja foi submersa junto com toda a cidade, restando somente as duas torres da construção original.

Conforme as entrevistas realizadas, vimos que, na prática, os maiores beneficiados são os comerciantes, segundo Otolino “Agora tá melhor, eram poucos moradores (na velha Itá), 280 famílias só, lá eu não aguentaria muito, não tinha espaço. A melhor coisa foi a barragem, aumentou o turismo, bem melhor”. O aumento do turismo é um ótimo aspecto para os comerciantes da região. Os agricultores foram os mais atingidos, criando até mesmo o MAB (Movimento dos atingidos por Barragens) que defende a ideia contra a barragem. Descobrimos também que antes e durante a construção da barragem não teve nenhum projeto para conscientizar a população sobre o uso de energia elétrica e sobre a hidrelétrica que ali era construída. Atualmente, segundo Rosane Klein, diretora administrativa do hospital comunitário de Aratiba, “as próprias entidades, a própria radio local divulga bem isso, a importância da economia, do consumo consciente da energia, e fala da questão da falta da produção também quando há uma grande demanda da energia”.

Em Itá, há o CDA (Centro de Divulgação Ambiental), projeto de conscientização ambiental sobre a UHE Itá. Como seus objetivos, são citados a estimulação da preservação do patrimônio histórico e cultural da região e mostrar a construção da Usina como um modo de aproveitar o Rio Uruguai e seus afluentes. O CDA conta com projetos de educação ambiental na comunidade também.

Fonte: http://www.consorcioita.com.br/paginas/visualizar/cda/
Na foto: CDA (Centro de Divulgação Ambiental)

Apesar da população não ter muito conhecimento sobre esse projeto, vimos que há uma grande preocupação em economizar a energia dentro de casa, Jussara Hermes, de 31 anos, monitora do Memorial Casa Camaroli e da Casa da Cultura de Itá, relatou “se a gente tá no cômodo da cozinha, se procura deixar só a luz da cozinha acesa. Procura-se deixar só uma luz acesa, coisas assim que acabam sempre contribuindo pra economia da energia”. Ao contrário da população da cidade, os moradores de Itá e Aratiba utilizam mais a energia das suas casas para fins domésticos e para as máquinas do campo, para lazer, em geral, só durante o fim de semana, Jussara disse “Mais para uso doméstico, o tempo é corrido, computadores e celulares, a gente usa mais no trabalho”.

Na cidade, também é utilizado para fins domésticos, mas a tecnologia adentra nossas vidas cada dia mais e a necessidade de “evoluir” é cada vez maior. E mesmo sabendo que há diversos programas de conscientização do uso de energia, sejam em rádios, pela televisão, em escolas, muitas vezes não é o suficiente para a população e acaba causando transtornos, como o aumento da conta de energia, para que as pessoas consumam menos.

Outro aspecto muito presente na cidade são as indústrias que necessitam de uma grande demanda de energia constantemente. No Brasil, em 2014, mais de 35% da energia produzida é destinada aos setores das indústrias.

Segundo o palestrante da CRERAL, Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai, e o agente de divulgação ambiental do CDA, Rafael, a energia produzida em Itá e Erechim, é distribuída para diversas partes do Brasil. Nas entrevistas, percebemos que os moradores sabem que a energia que eles consomem não vem exclusivamente da Usina de Itá e sim, de uma rede interligada com vários lugares. Rosane explicou: “Eu acredito que ela vem das Usinas Hidrelétricas interligadas com a nossa rede”.

Por fim, em nossa opinião, a barragem trouxe benefícios para alguns, mas consequências negativas para muitos, seja para os agricultores ou até mesmo ao meio ambiente. Dezenas de espécies de peixes morrem aos arredores da barragem, os agricultores perderam grande parte de sua fonte de renda, famílias perderam suas casas, suas histórias. Os benefícios ficaram por conta da maior visibilidade que a cidade ganhou, sendo até chamada de a cidade mais sustentável. Quanto à diferença de uso de energia entre o campo e a cidade, ficou bem claro que os moradores da zona rural das três cidades que visitamos demonstram maior preocupação com o uso consciente de energia do que os moradores da cidade. O modo que eles a utilizam também é diferente, na cidade, a todo o momento, a televisores ligados, celulares carregando, computadores trabalhando, fora as indústrias que estão sempre produzindo mais e mais, gastando grandes quantidades de energia. Já no campo, isso não é tão constante como percebemos em todas as entrevistas que fizemos, é sempre mais para uso doméstico e para lazer mais durante a noite ou em alguns casos só nos fins de semana. O maior gasto daquela região fica pela agricultura, como vimos na palestra na CRERAL. Pensamos que o consumo consciente nas cidades tem que se tornar rotina, não somente pelos altos custos, mas sim, pelo bem do meio ambiente também.

Por: Júlia Weber de Oliveira (julia.weberdeoliveira12@gmail.com)
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