A filosofia merlinista
Saindo do eixo americano e britânico, me deparei com “Merlí”, série original da Catalunha e disponível na Netflix.
A temática da série já me agradou na sinopse, afinal, não é sempre que a gente se depara com uma série que tem um professor de filosofia no centro da trama. Apesar disso, foi seu desenvolvimento que me prendeu de vez.

Com uma produção simples e um roteiro verdadeiramente primoroso, Merlí veio para nos fazer pensar. E o título da série se deve ao protagonista, Merlí Bergeron, professor de filosofia que consegue nos convencer, como bom sofista, a admirá-lo apesar de seu estilo razoavelmente controverso de ser.
Ao tratar de temas reais da vida adolescente com um olhar filosófico, a série nos leva aos nossos próprios tempos de estudantes secundaristas, com todas as dúvidas, problemas e certezas absolutas que tínhamos nesse período.
Com uma sensibilidade única, apresenta situações envolvendo diversos temas importantes, como o bullying, a lgbtfobia, a dificuldade em ser aceito e em aceitar as diferenças, e, além disso, os problemas do sistema educacional a partir das angústias, críticas e percepções dos professores acerca dos métodos de ensino.
Pensar nunca esteve na moda. Pelo contrário, quem pensa demais não é bem visto pela maioria. E com essa definição culturalmente instalada, a experiência de assistir a essa série é ainda mais desafiadora, pois, a cada episódio, uma nova forma de ver as coisas é proposta ao espectador.
Afinal, esse é o papel da filosofia: incentivar que pensemos por conta própria. Que tentemos ver o mundo a partir de perspectivas renovadas, entendendo melhor o que nos cerca e, é claro, a nós mesmos.
A filosofia merlinista propõe a seus alunos, os peripatéticos, que tenham coragem de sair de seus casulos. Que abram a janela para deixar o sol bater na cara, e que, um passo de cada vez, consigam sair pela porta e correr, sem olhar para trás, em busca de seus objetivos — por mais difíceis que pareçam.
