

Guerra nas estrelas do jeito que o povo gosta
Já aviso: não vai ter spoiler.
Não sou um fã enlouquecido de Star Wars, desses que têm sabre de luz, sabem falas de cor e conhecem de cabo a rabo o universo "oficial" e o expandido, que acha Easter eggs e coisa e tal. Sou da ala comum, que tem como referência a trilogia original (Ep. IV a VI) e mal viu a nova trilogia direito (Ep. I a III), mas já não gosta porque, né, Guerra nas estrelas é Luke Skywalker e companhia limitada mais Darth Vader já malvadão.
E apesar disso, participei deste universo com a tradução de Star Wars — A trilogia para a editora @DarkSideBooks, junto com Antonio Tibau, Alexandre Martins e minha amiga Érika Lessa. Uma experiência e tanto.
Assim, não vou fazer aqui nenhuma análise aprofundada do filme, mas vim dizer que fiquei extremamente emocionado em vários momentos de Star Wars VII: O despertar da força, que estreou hoje nos cinemas. Aliás, essa informação é desnecessária, pois não se fala de outra coisa nas interwebs — inclusive dos insuportáveis spoilers dos quais fugimos como o cão da cruz nos últimos dias.
Na realidade, o Daniel Lameira, editor da Aleph (que está lançando os livros da coleção Legends e também do universo expandido) já falou tudo aqui. Fez um apanhado de pontos positivos e negativos do filme, e conseguiu fazê-lo sem dar nenhuma pista importante dos acontecimentos do novo episódio. E, acima de tudo, concordo com ele em uma coisa: Guerra nas estrelas volta a ser o Guerra nas estrelas moleque, de várzea. Conta, obviamente, com efeitos especiais belíssimos, mas sem exagero, na medida certa.
Uma coisa que Daniel comentou: a "ingenuidade" dos filmes da trilogia original, quando George Lucas era ainda um molecote e filmava na raça, criando maluquices para tirar da cabeça seu sonho, está presente no Episódio VII. A luta simples entre Bem e Mal, entre os dois lados da Força, está mais presente, há menos ambiguidades, a coisa é mais direta e reta. Talvez por isso seja um episódio apaixonante, com 2h30 que poderiam virar 3h30 que ninguém perceberia. Isso se deve à direção de J.J. Adams, um notório fã dos primeiros Star Wars, e também ao roteiro que contou com a participação de Lawrence Kasdan, que também foi um dos responsáveis pelo roteiro de O Império contra-ataca. Como comenta Daniel na sua resenha:
A equipe de roteiristas, que conta com Lawrence Kasdan, que assinou o roteiro de O Império contra-ataca, retorna (exageradamente) à fórmula de Lucas, seguindo a Jornada do Herói passo a passo e colocando o sentimento de goofy but not silly, que Kasdan defende sempre ter sido o espírito da saga, de volta ao equilíbrio certo.
Um pouco de dois Georges Lucas é de certa forma explicado na nova edição de A jornada do escritor, de Christopher Vogler. Na antiga edição, o autor repassava a trilogia original para indicar pontos da jornada do herói dentro da série. Na nova edição (que traduzi para a Aleph), ele retoma o tema Guerra nas estrelas e apresenta também uma análise da nova trilogia, tendo como ponto de partida o George Lucas de 1977 (novinho, ousado, cheio de energia) e o George Lucas dos anos 2000 (pai de família, já mais cansado, querendo estabilidade). É bastante interessante pensar neste lado da série.
E agora, abre-se um novo caminho para a franquia, que tem uma ambição muito grande: transformar em realidade um projeto transmídia gigantesco. Uma ambição do tamanho da imaginação do criador da série.
Resta esperar os próximos filmes, tanto sequências como spin-offs. A Disney vai arrancar todo o nosso dinheiro.
Torcendo para chegarem logo!
May the Force be with us…