O direito ao estádio
Puntero Izquierdo
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Amigos, alguns pontos que coloco aqui pra FOMENTAR o debate, que é deveras pertinente.

  1. Existe um aspecto que compreende as tais arenas que quase ninguém realmente questiona: o espetáculo que nelas se apresenta. Por que temos doze (foram doze sedes na Copa, certo?) estádios de 1º mundo e nenhum campeonato que nos tire de casa num domingo de tarde? (O Maracanã vivia às moscas mesmos nos tempos de arquibancada de concreto).
  2. Existe mais má-vontade de certa crítica do que realmente barreiras a se torcer nas tais arenas? As torcidas durante os jogos da Copa encheram nossos olhos. Por que a gente não pode promover os campeonatos visando trazer essa galera pros estádios?
  3. Não topo essa crítica à exploração da imagem dos times de futebol na forma de produtos (e lojinhas): os clubes e nossos campeonatos precisam se promover e, principalmente, se pagar.
  4. Um aparte, ainda que pessoal — A gente tende a enxergar o futebol e seu universo como que dissociado da vida em geral no Brasil. Como se a violência das organizadas não fosse apenas a extensão natural da nossa violência cotidiana das ruas; como se apenas dentro dos gramados os negros fossem açoitados de racismo (e condenados ao reagir); como se a precariedade da organização do espetáculo (o calendário, os estaduais, os clubes baseados em falências, dívidas e cartolagem fdp) não refletisse tal e qual um espelho a precariedade da nossa organização em sociedade. O artigo do Gilmar foi bastante feliz nesse ponto, traçando paralelas e buscando concordâncias entre o jogo e o local onde ele se insere. Partindo desse pressuposto, a instalação das novas arenas apenas reflete o modo como a nossa sociedade não contempla a participação popular na hora de tomar decisões — a população que foi despejada de ruas, avenidas e bairros para a Copa passar não foi convidada a entrar nos estádios.
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