À noite

O pai nunca gostou 
de contar seus sonhos
ou de pagar caro nas coisas.

Depois de dividir tudo,
a casa, a roupa, a comida, a fé,
o nome, a cor e até 
o nariz torto meio quebrado, 
guardava os sonhos dentro do cofre, 
assim mesmo, meio apertado
com a saudade bem ao lado.

Era um homem
de poucos sonhos
e muitas contas.
Um homem
que sonhava em segredo
para ter algo
para chamar só de seu.

Mas naquela noite 
acordou mais magro, 
como se perdesse 
o amor dentro de si.
Ao acordar de um sonho
em que via que iria partir,
chorava pela tristeza
que sua família iria sentir.

Acabava a divisão.
Teria para ele 
uma eternidade inteira,
mas a um custo muito alto,
ao seu filho não daria
mais nenhuma mamadeira.

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