Absolutamente nada

O anjo de asas negras me visitou aos 14

Eu o vi nesse ano,

Mas ele já me acompanhava antes disso

Meu companheiro

Minha solidão

Ano após ano levando um pouco de mim a cada anoitecer

Em cada palavra

Em cada gesto.

Indiferença

Medo

Vilipendio

Ah, solidão

Dura, fria e real solidão.

Um pássaro numa gaiola de amor

Um estranho

Um ser só.

Ele me trouxe as paginas e as fantasias

Nas quais me escondi e me perdi

Ele me trouxe as mascaras que passei a usar

“Se ninguém chegar, ninguém partirá.”

Sempre a espera do Adeus.

Sua foice era pesada

E o primeiro golpe mais profundo veio ao final dos 18

Atraído por sonhos eu fui

E o golpe espalhou lagrimas em meu travesseiro,

E sangue no chão do banheiro.

Indiferença

Tristeza

Amor?

Golpes menores dados no decorrer do tempo

Cicatrizes

Memorias.

Então veio a esperança

Sonhos

Voos altos

E eu me rendi, e deitei-me sobre sua lamina

Naquele instante o paraíso era real

E era um lugar na terra

Dentro daqueles braços,

Mas eu esperei o Adeus.

Um tropeço

e eu me golpeei como nunca antes.

O vazio

A dor

A fumaça

A neblina alcoólica.

Morri aos 23

Morri de amor

Morri por amar.

Sempre estive morrendo

Lentamente,

Dolorosamente,

Sozinho.

“São as coisas que amamos que nos destroem.”

Não

São as coisas vindas de quem amamos que nos destroem.

Um ser só,

Amado pelo anjo de asas negras.

E beijado por ele

Após duas finas e profundas linhas nos pulsos.

[RP]

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