Teoria dos Jogos e outras coisas

A polícia prendeu dois suspeitos de um crime.

Não há provas suficientes para condenar os dois suspeitos sem que um testemunhe contra o outro.

A solução encontrada pelos policiais é separar os dois presos e propor três possibilidades a cada um, separadamente: 1) Um deles testemunha contra o outro e é liberado, enquanto o outro pega 10 anos de prisão. 2) Cada um testemunha conta o outro e cada um pega 5 anos de prisão. 3) Os dois ficam em silêncio e os dois cumprem 6 meses de prisão.

Estamos diante do clássico dilema dos prisioneiros, um dos exemplos mais usados para explicar a Teoria dos Jogos.

Não lembro qual foi a primeira vez que estive diante desse dilema, mas foi só ultimamente que ele passou a rondar mais a minha cabeça. Dia desses li um livro de uns economistas meio doidos que utilizam bastante a Teoria dos Jogos para ter novas ideias sobre tudo, inclusive recomendo, o nome é: Pense Como Um Freak.

Foi justamente nesse livro que li o dilema dos prisioneiros pela última vez.

Pois bem, esse dilema pegou bem o mote dos meus últimos pensamentos. Tenho pensado bastante sobre a vontade de ter sucesso que todos nós temos em nossos corações e nas nossas mentes e tenho pensado mais ainda sobre o fato de que muitas vezes esse nosso sucesso não é suficiente para nós, já que, em várias ocasiões, ele só passa a ser suficiente quando é acompanhado do fracasso dos nossos concorrentes.

E aí eu passei a refletir muito sobre isso: a concorrência.

Percebi que muitas vezes taxamos pessoas de inimigas e concorrentes e passamos a desejar o mal dessas pessoas. Competimos contra elas sem elas sequer saberem que existimos ou que há uma concorrência acontecendo.

Percebi, inclusive, que muitas vezes competimos em áreas completamente irrelevantes para essas outras pessoas.

Vou dar um exemplo: O Bill Gates ainda é, em 2017, de maneira esmagadora, o cara mais rico da face da Terra, com uma fortuna de 86 bilhões e meio de dólares. E a não ser que eu esteja extremamente enganado, ele não valoriza sinais externos de riqueza. Assim, é bem possível que alguém que valorize e esteja sempre em frenética competição no quesito “quem aqui parece ser mais rico”, se colocado lado a lado com o Bill, aparente mesmo ser mais rico que ele e vença a competição que só existe na cabeça dessa pessoa.

No nosso exemplo, essa pessoa, por ostentar relógios monumentais, roupas de marca, celulares de última geração e carros que saem da vaga sozinhos, pode muito bem fazer algum observador aponta-la, mesmo em comparação com o grande Bill, como a pessoa mais rica, ainda que tudo seja falsificado ou venha de origens duvidosas.

A verdade é que passei a identificar em mim e em várias pessoas ao meu redor, competições imaginárias nas quais nós competimos com quem não está competindo com a gente. E tudo passou a ser muito engraçado quando percebi algumas competições nas quais um dos lados não estava sequer interessado na área em que se travava a rivalidade.

É interessante demais perceber, além disso, como somos seres diferentes, com interesses diferentes em diferentes assuntos, atividades, lugares, situações, status sociais etc.

E foi aí que comecei a me perceber no meio do dilema dos prisioneiros. Entendi que em muitas competições reais da vida, quando, por exemplo, existe um campeonato, uma disputa por uma vaga de emprego, por um lugar melhor para assistir um filme, entre outras coisas, mesmo nessas situações, nós não precisamos que o nosso competidor se dê mal para que a gente se dê bem.

A verdade é que o mundo é enorme, com muito mais de 86 bilhões e meio de possibilidades, havendo espaço para todos nós conquistarmos o nosso lugar ao sol. Cada um de nós tem áreas de interesse e gostos diferentes e isso traz ainda mais possibilidade de cada um ter sucesso nas áreas e nos interesses que mais gosta e que valoriza, independente do sucesso do outro nas áreas ou nos interesses que ele valoriza.

É por isso que eu posso valorizar ter um cachorro e andar de bicicleta e você pode valorizar ser independente e ter uma pick-up. Pode acontecer também de você valorizar um estilo de vida fitness, músculos definidos e reduzir o tempo que você corre uma maratona e outra pessoa valorizar o comer mais de 30 pedaços de pizza no rodízio, além de outras infinitas possibilidades.

E é isso que torna ainda mais bonito o fato de todos sermos diferentes.

Entendendo isso fica muito mais fácil você torcer e ser feliz pelo sucesso das outras pessoas, mesmo daquelas que anteriormente você acreditava que eram suas rivais.

E não adianta querer que todos valorizem as mesmas coisas que você, se todos nós fôssemos iguais, o mundo perderia a graça, então, se você gosta de pintar quadros com aquarela, trate de ser feliz com isso, sem ter que competir com ninguém e sem tentar fazer com que o seu amiguinho que curte atirar com o arco e flecha goste da mesma coisa que você ou passe a saber diferenciar o roxo do lilás.

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