
Das interferências na nossa conexão
Sabe aquelas pessoas que chegam na sua vida sem querer e as suas almas já se identificam como se estivesse olhando no espelho? Foi mais ou menos isso que aconteceu quando te conheci. A conexão foi tão grande que uma ideia maluca acabou se tornando uma lição de vida. Você se mostrou extremamente solícito e prestativo, e o mais importante, sem esperar nada em troca (só o colchão mesmo haha).
Os dias foram passando e fomos descobrindo uma afinidade muito boa. Meus olhos começaram a brilhar ao ver aquela alma infantil igual a minha, com medos, dúvidas e gana de ser muito feliz, e assim os dias foram passando. Semanas depois, num momento de descontração, uma palavra acabou despertando em mim muitos sentimentos, e com uma maturidade que eu nem sabia que eu tinha, te chamei para uma conversa que não imaginei ter com alguém que não fosse minhas terapeutas ou a melhor das minhas amigas. Naquele momento eu me despi pra ti. Não de corpo, mas de alma. Sem máscaras tivemos uma conversa intensa: olhos na alma e sentimentos à flor da pele.
Aquele não foi um dia fácil, a fragilidade me deixou sem chão e coisas pequenas (talvez até insignificantes) tomaram proporções enormes. Nossa conexão começou a sofrer interferências das coisas irrelevantes que aconteceram. Mais do que isso, me senti extremamente exposta a ti pois até então tu tinha visto muito de mim: minha prestatividade, alegria, impaciência, força e até um pouco da minha fragilidade, porém eu não estava preparada pra te mostrar o meu "pior lado", aquele desespero e confusão que tomava conta da minha mente.
A vergonha e o medo me dominaram. Eu não conseguia olhar para ti e quando nos encontrávamos eu só queria desaparecer ou voltar no tempo e impedir aquela conversa. Foram alguns dias muito escuros para mim até poder assentar tudo e conseguir falar contigo novamente.
Por vezes me impressiono com tua serenidade e maturidade pra conseguir manter-se ali e ainda me dizer "aceita minha ajuda, to aqui pro que tu precisar" e, nos raros momentos em que a calma me visita, eu agradeço minha alma por ter reconhecido a tua.
Eu sei que nós demos um passo na nossa evolução: nossos espíritos precisavam passar por isso (acho que o meu principalmente) e que não voltaremos a ser como antes dessa interferência mas eu realmente espero que ela sirva para intensificar nossa conexão e que nossas almas brincalhonas possam entrar em sintonia novamente, mesmo que nossos caminhos sejam outros.
Obrigada pela paciência, pelos ensinamentos e principalmente por me mostrar que eu deveria me ver com outros olhos e não com os olhos dos outros.
