O que é verdade?

O celular desperta, eu desligo, olho as horas, levanto, tomo banho, me arrumo, pego a mochila, saio correndo, pego o ônibus, metro, desço a rua, chego na faculdade, assisto as primeiras aulas, como um lanche no intervalo, assisto as últimas aulas, subo a rua, pego o metro, chego no trabalho, almoço, passo a tarde trabalhando, saio do trabalho, vou para o ponto de ônibus, subo no ônibus, chego em casa, janto, mexo no celular, durmo (lê-se apago) e tudo começa outra vez no dia seguinte.

Em todo o momento da minha rotina, eu me pergunto: “Tudo isso é real? ” “Para quem eu estou fazendo tudo isso? ” “Para mim ou para os outros? ”.

Após desisti da minha primeira faculdade, não por desinteresse, mas sim por não aguentar essa rotina, a qual eu sigo hoje, eu fiquei perdido. A sensação de impotência e de derrota era grande, como se eu tivesse perdido o rumo da minha vida. Eu estava acabado e via essa sensação refletida no espelho toda vez que eu o olhava.

Após um tempo eu percebi que não estava triste por ter saído da faculdade e não ter mais aquelas aulas, trabalhos e projetos que eu tanto gostava — eu diria que 5% era por esse motivo — eu estava daquele jeito porque, para mim, tinha mostrado fraqueza e incapacidade para as pessoas ao meu redor.

Refletindo sobre essa passagem da minha vida, eu questiono: Para quem estamos fazendo todas essas coisas? Para nós, ou para eles?

Hoje em dia, com a ajuda da internet, as pessoas se mostram mais, e permitem que outras pessoas tenham acesso a sua vida, como um Big Brother da vida real. Não culpo a internet por isso, pois a vejo como uma ferramenta para acesso ao conhecimento, porém usada de forma errada pelas mesmas pessoas que a criaram.

As pessoas compram uma roupa, pensando no que as pessoas iram falar sobre. Comem, ouvem, falam e frequentam lugares que as outras pessoas julgam serem bons.

O engraçado de tudo isso é que vivemos em uma sociedade com uma diversidade cultural gigante, onde nós podemos criar, andar com nossos iguais e compartilhar nossas ideologias, entretanto estamos perdendo nossa real identidade e assumindo outras, tudo para que a sociedade nos veja como modelo ideal.

A verdade foi trocada pela ilusão e nós, seres humanos livres e pensadores, nos acostumamos/acomodamos com essa situação.

Será possível ver verdade dentro de nós? Será possível recomeçar do zero e injetar um pouco de verdade nas nossas veias?

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