Pensei que fosse sentir aquela ânsia na boca do estômago, o embrulho incômodo que revira os órgãos internos, a frieza nos pés e mãos, o choque térmico que me expulsa de dentro de mim mesmo e me faz cair na dura realidade que é o agora. Mas não foi bem assim.
Eu fiz um pequeno esforço e consegui respirar novamente, sabe, porque eu andava feito um enfermo que necessita de aparelhos respiratórios para se manter vivo. Já vi outros “nãos” mais inconformáveis, que te fazem arrancar alguns cabelos de raiva, ou discutir horas e horas na insistência de um “sim”. E não é que tenha sido fácil demais aceitar, porque não foi, mas engolir algo que já vem sendo mastigado também não é difícil.
Esse foi diferente, soou como arrancar as algemas de um prisioneiro. Eu estava preso, cumprindo detenção por querer todos aqueles momentos de volta, o ritual familiar de boa noite, e querer te manter por perto, assim, do meu lado. Um crime que eu praticaria voluntariamente outras milhares de vezes.
Mas eu precisava ouvir o não. Saber que era preciso seguir adiante, sem olhar pra trás. Fui refém das minhas próprias fantasias durante todos esses dias, só não tinha certeza se essa era a forma de me libertar.
