Como transformar médicos em líderes

Formar profissionais preparados para tratar de pacientes em tempo integral não é mais o único foco da medicina moderna. É preciso transformá-los em grandes líderes

Sejam especialistas ou não, médicos muitas vezes trabalham em separado, isolados de um contexto geral. Isso dificulta a troca de informações, trazendo inúmeras responsabilidades individuais, que poderiam ser amplamente discutidas em equipe. Estar ciente de que um médico não trabalha mais sozinho é uma nova realidade de hospitais em todo o mundo. Tanto por suas tecnologias, como pelas novas descobertas no campo da medicina.

A tecnologia trouxe uma enorme gama de soluções. São equipamentos, sistemas e novas funcionalidades que, bem integradas, facilitam a tomada de decisão e consultas de diversos casos clínicos, seja em um mesmo centro ou em locais distintos. A grande verdade dessa nova realidade é que médicos, assim como quaisquer profissionais de áreas distintas, também precisam estar em constante atualização.

Se atualizar não é mais um diferencial, mas qualidade básica de um bom líder. Profissionais que estão em constante processo de auto-avaliação, bem como buscando novas respostas através destes sistemas têm grandes probabilidades de acerto, pela simples realidade: não trabalham sozinhos, mas em equipes — às vezes remotas — e avaliam resultados distintos, em maior escala.

Quando um paciente deposita sua confiança em um médico, não acredita que o seu diagnóstico possa estar errado. Ao ter um resultado errôneo, o que este paciente considera mais prudente é avaliar uma segunda consulta, com outro especialista e, em várias ocasiões, o resultado pode ser diferente. O que muitos não percebem é que o principal erro desta busca é que os especialistas trabalham individualmente, sem consultar uma base de dados, por exemplo, que poderia transmitir todas as informações corretas de outros casos idênticos ao do seu paciente em questão.

Utilizar sistemas HIS pode ser um grande sinal que a clínica ou hospital está no caminho certo da inovação. Estar nesse caminho significa que o profissional, mais atento com as diversas falácias que novas enfermidades e drogas podem causar ao paciente, busca soluções em uma equipe (sua ou não, especificamente). Estar amparado por outros profissionais, buscando soluções para estes novos casos é uma grande arma de análises clínicas assertivas.

Mas onde está o líder neste caso?


Estar aberto à sugestões, opiniões e analisar mais de um caso em específico nem sempre é fácil, mas quase sempre é preciso. Um doutor especialista que se transforma em líder é aquele que lê diversos prontuários, gerencia sua equipe de forma eficaz e sempre está propenso a reavaliar em conjunto antes de tomar uma decisão.

Quando lidamos com seres humanos, a questão é ainda mais delicada. Como medir um desepenho de um médico por valores, porcentagens, sendo que seus pacientes melhoram de formas tão distintas? Quando uma lesão pode ser grave e outra leve, por exemplo, sendo que dois pacientes reagem de formas diferentes, tanto aos medicamentos utilizados como ao tratamento como um todo? A questão é saber como equilibrar essas nuances com outros exemplos. Essa grande cadeia de informações, vindas de colaboradores, opiniões e locais distintos trará o poder da decisão correta ao médico.

Um líder não enxerga um pequeno mundo ao redor de si, mas uma vasta gama de resultados. O que importa nesse caso não será especificamente o ganho do paciente, mas como o seu resultado trará benefícios para toda uma comunidade. Ou seja, um grande líder da área de saúde trabalha como um agente transformador, que coleta informações de cada indivíduo para um bem comum. Integrar esses benefícios com o sistema completo e totalmente digital, cercado de informações de outros pacientes, transforma clínicas, hospitais e até profissionais em ferramentas mais completas. É para essa comunidade que o novo líder trabalha.