Fundo Garantidor de Crédito

Se você tem medo de trocar a poupança por uma opção mais rentável, esse texto é para você. Continuamos a discussão iniciada no artigo anterior, aprofundando no fundo garantidor de crédito para entendermos seus pontos mais importantes.

Imagine o seguinte cenário. Ao final do mês, todas as obrigações foram cumpridas, nossos credores estão felizes, receberam tudo no dia combinado e vencemos a luta financeira mensal que todo bom brasileiro se obriga mensalmente. Para coroar essa história de sucesso, sobrou dinheiro no fim do mês. Opa, exagerei um pouco na trajetória heroica, mas cá para nós, os dias de hoje com economia em recessão, até que não dá muito pra relativizar o sucesso desse feito né?

Então nosso herói fez dinheiro sobrar no fim do mês e não vai simplesmente torrar tudo que conseguiu poupar, vai tomar uma atitude um pouco mais consciente e poupar o suado dinheiro para investir em uma reserva de emergência e garantir um poder de compra maior para adquirir algum produto no futuro.

Nosso astuto personagem escolheu a poupança e logo depositou o seu dinheiro. Sua crença nessa aplicação era a segurança que ela o oferecia. Certo até aqui, objetivo concluído, história finalizada. Calma, ainda tem mais. O tempo passou, o dinheiro rendeu. E o momento de necessidade chegou, ele precisava daquela poupança para honrar seus compromissos, como costumeiramente faz.

Acontece que não foi só ele que esbarrou em uma necessidade, o banco no qual ele depositou seu suado dinheiro, também estava indo de mal a pior, com decisões equivocadas e aplicações duvidosas, a instituição faliu, e tudo isso antes que nosso personagem pudesse resgatar seu saldo naquele banco.

Enfim um cidadão responsável esbarrou em uma instituição bancária com problemas financeiros e nem um pouco comprometida, impactou diretamente o cidadão que corretamente procurou o banco para manter seguro as suas aplicações.

Parece um final triste, mas devido ao Fundo Garantidor de Crédito, que protege o investimento que o brasileiro em questão fez, irá socorre-lo, e ao final do processo necessário para que se decrete o regime especial, aguardar um prazo que pelo conhecimento histórico que o próprio fundo nos oferece de 3 dias até 3 meses em média para receber o saldo que ele possuía no banco que quebrou devido a sua insolvência*.

Apesar de toda a burocracia que ele irá passar para reaver o seu saldo bancário, poderá contar com essa proteção e seguir seu caminho de investidor com tranquilidade.

Esse procedimento ao qual todos em situação similar devem recorrer pode acontecer mesmo com a poupança e por se tratar de uma aplicação coberta pelo FGC, este irá garantir o ressarcimento do saldo devido ao credor ou cliente prejudicado.

Nosso personagem teve seu objetivo principal que era segurança atendido, pois optou pela poupança e todo o tramite seguinte que se deu foi protegido pelo fundo, porém como vimos no artigo anterior é possível investir com melhores rentabilidades em uma aplicação que permita a mesma segurança da poupança, pois também estará dentro das regras do FGC.

Breve histórico do FGC

FGC foi constituído após 1995 a partir de uma autorização do Banco Central, na qual estabeleceu uma instituição privada sem fins lucrativos, para permitir que o país atravessasse seus enormes problemas monetários, conhecidos da época.

O objetivo principal é dar proteção aos problemas de insolvência do sistema bancário brasileiro. O fundo existe para dar garantia aos clientes e credores de bancos. Garante que os saldos das contas e os contratos de empréstimos estabelecidos sejam honrados.

Historicamente o Fundo Garantidor de Crédito a partir da consolidação do Real como moeda, já passou por grandes provações, tais como a quebra do banco Bamerindus, um dos maiores bancos do país que causou um prejuízo ao fundo na ordem de 6 bilhões de reais.

De lá para cá, o FGC se mostrou uma instituição consolidada e com capacidade de atuar na resolução de problemas de insolvência bancária. Nas últimas décadas, ela teve sua atuação restrita a casos pontuais e em todos eles conseguiu intervir para garantir os direitos dos clientes e credores.

Como o fundo se capitaliza?

Em virtude de força de lei as instituições bancárias efetuam um pagamento compulsório, que consistia até 2006 em uma taxa anual de 0,30%. Com esses recursos e outras taxas de serviços é que o fundo se capitaliza para atender a demanda que se propõe.

Após 2006 dado o sucesso de atuação do FGC, foi pleiteado junto ao governo que a taxa caísse pela metade, devido aos custos que a taxa reflete nos bancos, o que foi concedido, estando atualmente no patamar de 0,15% ao ano. Essa redução aliviou os custos das instituições bancárias inerentes a sua associação obrigatória.

Quais títulos estão segurados pelo FGC?

Falando de investimentos os seguintes produtos mais conhecidos são protegidos pelo fundo: Poupança, CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras e Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio).

Ou seja, não estamos reféns da poupança como opções protegidas pelo fundo. Podemos ainda optar por destinar nossos recursos a todos esses outros produtos e contar com a mesma segurança.

Quais são as limitações?

É preciso ficar atento a algumas limitações do fundo. O FGC garante os investimentos limitados a 250 mil reais por instituição.

Com essa limitação, caso o cliente possua em uma mesma instituição bancária mais de 250 mil reais aplicados, o fundo em atuação, irá ressarcir apenas o teto de 250 mil reais.

Sendo assim uma dica que deve ser levada em consideração para os investidores que já alcançaram ou superaram este patamar é que ele deve se proteger levando o excedente do valor aplicado para outra instituição.

Este valor é segurado por instituição ou conglomerado econômico, logo é permitido que o investidor separe suas aplicações se baseando neste teto que o fundo oferece como garantia.

Ele salva apenas o valor investido ou também a rentabilidade?

Uma dúvida pertinente refere-se as aplicações feitas. Em caso de quebra do banco o FGC irá ressarcir todo o saldo aplicado, isso quer dizer que tanto o valor principal, quanto a rentabilidade estão protegidas.

Quais precauções tomar?

Ok o Fundo Garantidor de Crédito é uma instituição sólida e segura, até hoje todos os casos de insolvência foram sanados pelo fundo. Baseado neste histórico, sim podemos confiar na instituição.

Porém um detalhe importante que deve ser levado em consideração é que o procedimento pode não ser rápido, pois depende de um processo que envolve justiça e a finalização de processos necessários para que o pagamento seja feito aos credores.

Considerando que não é uma situação confortável, os investidores também precisam ficar atentos na escolha dos títulos em que estão aplicando seu dinheiro.

Por mais que o fundo sirva de proteção isso não quer dizer, que toda e qualquer instituição bancária são recomendadas para que o investidor faça sua aplicação.

É preciso novamente um pouco de pesquisa para se munir de informações suficientes para tomar uma decisão de confiar o seu dinheiro a determinadas aplicações.

Atualmente existem várias empresas responsáveis por avaliar o grau de risco de bancos e todos nós podemos consultar as pontuações que são atribuídas as instituições bancárias.

Tomando esse mínimo de cuidado é possível que o investidor minimize muito suas chances de problemas no futuro, e ainda se tudo der errado, você ainda deve contar com o FGC para reaver a suas economias.

Mais detalhes sobre o FGC podem ser consultados no site da organização: http://www.fgc.org.br/

Bons investimentos a todos.

*O estado de insolvência ocorre quando o Banco não possui mais recursos para saldar suas obrigações contraídas.