Hortas e Empreendedorismo: O que tem em comum?

Como que eu junto as hortas e o empreendedorismo?

Toronto, Canada

Sempre trabalhei em escritório, de frente pro computador. E o máximo que eu via era uma parede, computadores e pessoas desconectadas. Um ambiente um tanto quanto inóspito a vida (e que me incluía profundamente).

O processo decisório para tomar a pílula vermelha ou a azul começou quando decidi sair da casa dos meus pais pela primeira vez. Mas foi quando me mudei pela segunda vez que de fato eu despertei, pois ali já estava fora do ambiente sem vida e tinha um mundo totalmente novo para explorar.

Quando eu abandonei a Matrix para controlar a minha vida e vivê-la de fato, nunca imaginei que me apaixonaria pelas plantas. A busca pela autonomia, liberdade e empoderamento me levaram até as hortas. Uma ida sem volta, ou como dizem “depois que você vê, não tem como desver”.

Essa história começa muito antes, na verdade. Minha vó sempre teve horta em casa e eu passei minha infância assistindo ela mexer na terra, nas plantas, cuidando de todas elas. Na minha cabeça de criança, aquilo não fazia sentido. Tanto que eu não prestava tanta atenção assim no que ela tanto se preocupava e investia tempo. A verdade é que eu não entendia pra que ela fazia aquilo tudo, mas ela fazia e faz com muito amor.

Em uma madrugada fria de sexta-feira, tive a chance de visitar o CEAGESP pela primeira vez. Foi ula daquelas experiências que não tem como “desver”. Eu estava sem expectativa e talvez até pouco interessado. O que eu ia fazer num lugar daquele, gigante, com muita gente para lá e pra cá, para ver algumas “plantinhas”?

E é ai que a horta entrou pela primeira vez na minha vida. Eu mal sabia o que era uma cebolinha e o óregano era apenas o que vinha na mini pizza que meu tio fazia ma casa da minha avó.

Entretanto, eu sempre gostei muito de salada, principalmente salada de alface. E acredito que foi o estalo para a minha conexão com as hortas. Me lembro de chegar no CEAGESP e ver pé pequenino de alface, num tom esverdeado bem claro, sendo segurada por um pote pequeno e preto.

Foi amor a primeira vista.

A conexão foi feita. E a partir daí uma nova história estava para acontecer.


A ih, aprendi! como empresa, uma escola de conexões e aprendizados, já existia desde setembro de 2015 ao conseguir meus primeiros alunos. E nessa época, bem antes mesmo de sair da Matrix ou me apaixonar pelo pé de alface no CEAGESP, eu apenas imaginava que empreender era ter um CNPJ, faturar e contratar “funcionários”.

A grande surpresa ao longo desse tempo foi entender o mecanismo do mercado, das empresas e perceber que o CNPJ e o faturamento são a menor das partes no empreendedorismo.

E foi criando a horta do amor e a ih, aprendi! que eu percebi que dar aulas, aprender, trabalhar, comer, respirar, conversar, ouvir, observar…tudo isso é uma coisa só.

Essa unidade é o que nos diferencia das máquinas, por exemplo, onde cada módulo, ferramenta, tecnologia, tem um propósito e objetivos bem definidos. E apenas isso. Não há flexibilidade para cenários não previstos.

E isso é empreender e cuidar de hortas. Você, ser único, observa, analisa e se molda de acordo com o clima chuvoso ou ensolarado, para seguir em frente crescendo como um pé de alface.

Eu descobri dando aulas que ensinar, aprender, plantar, cuidar, observar, alimentar tem tudo a ver com o que eu faço hoje dentro da ih, aprendi!.

O grande lance da minha vida tem sido poder mudar a minha realidade constantemente. Hoje eu cuido de plantas e sempre terei uma horta, não importa onde eu vá. Está intrinsicamente no meu ser e aguardava ansiosamente para desabrochar. E tudo o que eu aprendo com a Natureza eu aplico no meu dia a dia. Cuidar da casa, do corpo, alimentação, saúde mental, relacionamentos, trabalho. (Trabalho que na verdade não é trabalho. Leia aqui para entender).

A Natureza não exige força. Pra que você precisa forçar para as coisas acontecerem então?

Quando eu digo que a horta do amor e o aprendizado de idiomas estão totalmente conectados, eu quero dizer que todo o conhecimento gerado através das hortas, da observação do ambiente, das relações e trocas de energias, também faz parte daquilo que eu trabalho que é o aprendizado em si.

O aprendizado, qualquer que seja, tem que ser natural, orgânico e sem força. Apesar disso, requer grande dedicação. Essa dedicação é a chave do sucesso. Não adianta talento, aptidão, vontade. Tem que ter dedicação.


Urban Garden in Toronto, Canada

A grande inspiração para esse post foi o que o Gustavo Tanaka escreveu no seu blog o porquê de todo empreendedor precisar de uma horta.


Empreendedorismo e Horta são palavras que talvez não façam sentido juntas, porém estão estritamente ligadas em sua essência. E você não precisa largar o seu emprego e ter uma horta para entender esse significado.

Vamos por partes.

Empreender é mais do que apenas criar algo que gere valor. Significa, no meu ponto de vista, deixar o vitimismo de lado e começar a tomar a iniciativa para mudar o ambiente a sua volta. Arrumar o quarto todo dia de manhã, fazer seu próprio café da manhã, selecionar para leitura os assuntos do seu interesse, definir um alvo, aprender, plantar, cozinhar, amar, errar…tudo isso é empreender. A sua vida é um grande palco do empreendedorismo.

Ter uma horta é exatamente o que descrevi acima. E para você que não entende nada de plantas, talvez tenha feito uma faculdade de exatas e nunca gostou de estudar biologia e mal sabe o que é fotossíntese, não desista. Se você prestar atenção no post do Gustavo Tanaka, o item 6 da lista "aprender a observar" é a habilidade mais importante que você pode desenvolver na sua vida, na minha opinião. Há ganhos estratosféricos quando você aprende essa técnica de olhar com atenção o mundo que você vive. É através da observação que eu aprendi 80% das coisas nos últimos 2 anos.

Empreender a sua vida e cultivar uma horta em casa talvez sejam as disciplinas mais essenciais que o seu humano pode desenvolver durante a sua existência. Aproveite a chance que você tem e invista um pouco do seu precioso tempo para entender esses conceitos.


Quando eu fiz 29 anos nunca imaginei chegar nessa idade empreendendo e desenvolvendo esse amor pela Natureza. Para alguém como eu que foi projetado para passar num vestibular de escola pública, fazer o que eu estou fazendo não estava nos planos de ninguém. E nunca foi nenhum sonho. Mas se tornou o melhor dos sonhos possível.

Novamente, se quiser entrar mais no detalhe de cada um dos pontos que mencionei, conhecer a Horta do Amor, a ih, aprendi!, me convide para um café que terei o maior prazer em compartilhar muito mais do que está nesse e em outros posts.

Até breve!