A cura está em estar presente

Em 1997, a convite de um amigo que se tornou um grande amigo, o du rombauer, participei do início de um evento revolucionário que perdurou por alguns poucos porém memoráveis anos: criamos um sarau no espaço KVA (uma casa de shows vanguardista no bairro de Pinheiros, em São Paulo).

Eu pouco conhecia sobre sarau, mas sentia que era uma oportunidade de criar um ambiente de encontro, diálogo, criatividade e, porque não, desenvolvimento humano e social.

O que ocorreu foi que os eventos, que se tornaram semanais, entraram como um programa fixo na agenda de cada vez mais pessoas. Muitos artistas, não-artistas e também os que não se sentiam artistas entravam “na roda” de uma forma ou de outra.

Os puros espectadores, que eram poucos, inevitavelmente (porém sem nenhuma coerção) acabavam entrando nas atividades participativas que volta e meia eram propostas por alguém presente.

Aí é que está. Este modelo de sarau que ali surgiu e se desenvolveu, não era daquele tipo em que vamos para assistir a apresentações ou que vamos para nos apresentar. A proposta era completamente outra: era a de estar presente e ver o que iria acontecer.

O que ocorria é que havia dias em que haviam muitas apresentações, uma seguida da outra e outros dias em que pessoas traziam questões que estavam vivendo e gostariam de conversar e debater com os presentes. Outras vezes surgia algum poeta que até então guardava seus poemas escondidos na gaveta e pela primeira vez recitava uma delas ao público.

Haviam vezes também em que um bom facilitador promovia uma dinâmica participativa, um jogo, uma brincadeira, que estimulava a criatividade de cada um e desenvolvia habilidades inter-relacionais de escuta, de fala ou mesmo de corpo.

Assim, a arte, ou ainda mais, a criatividade, era o grande centro disparador de tudo. Alguém captava algo no ar, uma necessidade premente, uma energia a ponto de explodir porém ainda engasgada em cada um, e então essa pessoa dava o início a um processo de libertação.

O que se experimentava nem sempre era só alegria, muitas vezes se ouviam choros, catarses ou expressões que beiravam a loucura, porque no fundo o que ocorria ali era um processo de cura.

Lembro disso tudo agora, em meio ao que estamos vivendo com a presença do coronavirus em grande parte do mundo, enquanto eu e outro grande amigo, o Cristiano Vianna (com quem também fiz muitos saraus desse estilo na vida), estamos resgatando essa experiência para buscar retomá-la nesse instante em um ambiente virtual.

O que nos move é aquela sensação do Sarau do KVA, em que estávamos dispostos, olhando para o momento, e expressando algo que a situação estava nos pedindo, ou seja, o encontro disponível para o presente, para o que der e vier, e para que ele sirva a todos para se conectarem consigo mesmos, com a criatividade, a saúde, as soluções e a cura que está em nós mesmos.

Para saber mais e participar do próximo sarau, acesse www.sarauvirtual.com.br

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