Dois tempos do amar e viver | Um poema presente

Estar é verbo transitório,

é tudo o que passa,

que não faz morada

e deixa dor ou mágoa,

saudade ou incerteza

Estar não edifica,

é feito alma perdida

que não sabe o que é

e nem se arrisca a ser

{o amor é!}

Não estou viva, eu vivo

no presente do indicativo

e conjugo todos os verbos,

os futuros e os pretéritos,

em um só instante

pois o amanhã é rompante

na incerteza do acontecer

Sou a paixão e a benção,

o pecado e a santidade

Sou prazer quando estou dor,

sou a morte em vida todos os dias

Vivo no ser e sou intensa por viver

A paixão no hoje nos convida

a provar uma emoção diferente,

a usar seu melhor perfume,

experimentar um novo abraço,

e cozinhar aquela receita guardada

para saborear com o vinho que espera

A paixão no hoje nos convida

a embalar uma criança,

e ajudar a cobrir um pé descalço,

pois o amor pede urgência

e a única ocasião é o agora.

Não vive quem deixa para depois

a colheita das flores para o enfeite da mesa,

e sua melhor roupa para o adorno da alma

Não vive quem não sai às segundas,

quem não toma banho de chuva,

e cria suas regras próprias

por puro receio do desgaste da vida

{qual vida?}

Não vive quem não ama

e não ama quem tem medo

Habite no sorriso, quando a tristeza visita

Seja o amor, ainda que machucado

Quando estamos presentes, somos o infinito

E somos o universo, quando conscientes

Logo, viva cósmica e intensamente

na certeza de ser eterno.