Pelo direito de me arrepender

- De novo você vai fazer isso?

- Oi?

- É, lá vai você se machucar de novo. Não aprende?

Me peguei nesta conversa e parei para pensar. O que tem mesmo de errado em se machucar? Eu sei que no final o resultado não é bonito, sei que alguém vai ter que me aturar lamentando pelos cantos. Mas já viram como essas crianças de hoje estão sem o Merthiolate que arde?

Não, não é que eu acho divertido ficar me machucando por ai. E eu entendo os meus amigos quando querem evitar que no final eu seja mais um soldado abatido na guerra que é amar.

O que me importa é o caminho é não o fim.

Podemos aqui fazer uma alteração de uma frase popular e dizer que “os meios justificam os fins.” Ok, pode ser que eu me machuque no final, porém durante todo o caminho eu me diverti, durante esse caminho eu aprendi. É que as pessoas tendem só a lembrar como as coisas acabaram, mas eu faço questão de lembrar que antes do desastre houveram dias de felicidade. Você sabia que no vale do silício as pessoas valorizam empreendedores que falharam? É que eles tiveram a experiência e podem mudar o rumo na próxima vez. Ou falhar de novo, mas sempre aprendendo de novo.

Tá, você quer me avisar que posso me machucar, mas e se no fim tudo ficar bem? Se acabar que nada aconteceu como esse desastre que você está prevendo? Me desculpe, mas a não ser que você possa me contar do futuro (ou seja uma previsão de mãe, por que essas são infalíveis) eu vou sim tentar e ver no que dá. No fim posso sair decepcionado outra vez, ou você pode sair decepcionado por sua previsão não ser tão boa como queira.

Não, meu amigo, não é que eu não quero que você cuide de mim e abra meus olhos para o que eu não posso ver. Quero sim, e agradeço se você puder me tirar das maiores ciladas que eu possa me meter, por que eu sou muito bom nisso de entrar em roubadas. E se eu entrar no relacionamento que esteja me mudando ou destruindo aos poucos, me mostre, por que nesse caso é o caminho que não está dando certo, e dai eu preciso mesmo parar e olhar onde estou. Mas, não me impeça de sorrir só por que você acha que no fim eu vou me arrepender.

Cuide de mim, mas não me ponha numa bolha.

Por fim, deixo aqui meu manifesto pelo direito de se arrepender. Quero ter o direito de tomar as decisões mais arriscadas possíveis, desejo ter o poder de escolher por que e por quem eu quero que minhas lagrimas sejam derramadas e que eu possa escolher os caminhos que vou tomar. E tenha todo o direito de me dizer que avisou, mas não ache que isso vai me impedir de fazer de novo. Então me avise, mas me deixe decidir, e quando eu quebrar a cara, me faz um chá e vem ver um filme comigo?

- Aprendi sim!

- E por que faz de novo?

- Por que foi assim que aprendi.

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