Brasil beleza

Se eu fosse gringo o Brasil seria o tipo de país que gostaria de viver. Além do fato de ainda possuir paisagens e culturas intocadas, é um país jovem e exótico, que ainda transpira para se desenvolver e, por isso, cheio de movimentos e atitudes inventivas que ocorrem com largo espaço para crescer. Nações ocidentais mais antigas, como as europeias, por exemplo, já atingiram um nível de desenvolvimento maduro, tanto econômico quanto criativo, uma vez que já são milhares de anos de experiência humana construída. Há uma estagnação no crescimento dos desenvolvidos, fator que inevitavelmente acaba influindo no comportamento de quem por lá habita.
Mas falando de Brasil, quem por aqui habita, vive num país de beleza. Beleza exuberante da natureza, beleza de um povo miscigenado que se abraça e tem sorriso largo e principalmente o estilo de vida do “beleza”. Explico: uma das primeiras expressões que um estrangeiro assimila entusiasmado no Brasil quando aprendiz do português é o “beleza”. Algo que traduzido para suas línguas maternas soa engraçado e leve. É tanta beleza por estes lados que substituímos a formalidade do “tudo bem” pela graciosidade do “beleza”, tornando a palavra quase que essencial diariamente. Quando perguntados, medimos nosso bem estar pela beleza que enxergamos em nossas vidas.
Segundo alguns filósofos amadores, aonde quer que haja amor, haverá beleza, pois este não faz distinções apoiado em padrões estéticos impositivos, pelo contrário, é instintivo. O amor se concentra no que há de mais subliminar na beleza, na leveza do belo, no movimento natural, no riso sincero, no gesto de carinho, nos traços do amado, sejam estes delicados ou rudimentares. Portanto, tenho o brasileiro como um povo apaixonado.
Trata-se da beleza dos detalhes. Da autenticidade da arte que cada um carrega consigo a cada segundo em que se é o que simplesmente se é. Se o invisível ainda está passando sem ser notado, é sinal de que neste olhar está faltando amor.
Há também padrões de atração evolutivos que acometem homens e mulheres ao longo da história humana. Por exemplo, mesmo que não signifique um sinal de beleza, mulheres de cintura fina, quadris mais largos e aparente corpo saudável são instintivamente tidas pelos homens como mais aptas a conceber um filho vigoroso. Além disso, aquelas que possuem feições faciais mais infantis, que remetem àquela “carinha de bebê” acabam despertando maior interesse dos machos, por sua aparente fragilidade, enquanto que, por outro lado, homens de ombros largos, músculos definidos e vitalidade atraem mais as fêmeas devido a sua teórica maior capacidade de prover a segurança familiar. Estes detalhes muitas vezes não são reconhecidos quando vistos, mas devem influenciar na percepção imediata de beleza.
Enfim, nossa gente apaixonada sabe viver sua vida rodeada do que há de mais lindo, ama sua existência e o que gira ao seu entorno, pois em grande maioria amamos ser brasileiro, fator que permite enxergarmos no espelho do próximo as sutilezas de uma vida coletiva, da qual também fazemos parte.
Tendo em vista tais divagações, aquele que ainda concentrar-se na beleza padrão artificial do próximo é porque ainda não aprendeu a amar seus semelhantes, tarefa de difícil execução, reconheço, mas que uma vez atingida mudará o rumo de nossa evolução comportamental intra-espécie.
Hoje é segunda-feira, e essa semana será uma beleza!

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