Como anda a evolução

São dias ambíguos os que vivemos neste início de século. Imagino como olharão para a história de nossos tempos os sobreviventes desse mundo em 100 anos, por exemplo. Estudarão o avanço de grandes conquistas evolutivas da vida em sociedade, como o reconhecimento e respeito das orientações sexuais, regulamentação de velhas drogas naturais, aborto, direitos dos trabalhadores, entre outras questões as quais privilegiamos a liberdade de se ser e fazer o que nos faz bem, simplesmente. Por outro lado, nossos filhos e netos encontrarão nos registros brasileiros do início do século XXI manobras de retrocesso, como movimentos de apoio a já vivida (sofrida) ditadura, abuso da mão de obra trabalhadora em prol do benefício das elites, racismo, escravidão (ela ainda existe, mais perto do que se pensa), guerras pelo poder e etc. Todas estas experiências vem sendo experimentadas ao longo da história humana e frequentemente são renovadas por neo-pensamentos retroativos.
Esta sociedade, que se divide entre os que buscam voz e liberdade em novas formas de encarar a vida e aqueles que insistem em apostar nas antigas receitas já experimentadas, vai moldando nosso caminho e não raro um lado tem efeito sobre o outro.
Um grito de liberdade que vem na vanguarda da conquista de espaço é o movimento feminista. A cada dia mais intenso, a cada discurso mais abrangente e a cada atitude mais gritante, as mulheres estão quebrando os velhos dogmas milenares que tanto as oprimiu. Opressão que matou, castigou, silenciou e abusou de mães, irmãs, filhas e acima de tudo, humanos. Este sofrimento talvez explique psicologicamente alguns pensamentos radicais que feministas possam vir a ter hoje. E antes que essas se sintam ofendidas, não faço uma crítica quando me refiro a radicalismo, apenas busco a razão para tal.
Mas enfim, a reflexão que quero trazer aqui, refere-se a já citada tendência do meio de influenciar nossas atitudes. Vejo mulheres brigando por conquistar um espaço dentro de um mundo moldado pelos homens, o mesmo que as reprimiu desde sempre, que escravizou milhões de pessoas e segue oprimindo os menos favorecidos para mantê-los no poder. É nesse mundo que a mulher deseja inserir-se? No mundo em que uma criança é treinada para passar no vestibular, escolher uma profissão, inserir-se no mercado de trabalho vendendo seu precioso tempo familiar em troca de um salário mal pago e horas de tédio diário, enquanto estranhos tomam conta de seus filhos e os educam às suas maneiras, distanciando a família justo no momento mais vital e amoroso que esta pode precisar.
Então, o que quer a mulher? Às vezes me parece que bastaria incluir-se num cotidiano enfermo, terceirizar os cuidados de sua família e de sua vida para unicamente somar-se a um mundo que não tem sua essência. A mesma pergunta deve ser feita aos homens, que nem sequer titubeiam antes de fazê-lo. Preferem pagar mais caro pela resolução de seus problemas, o que os obriga a trabalhar ainda mais na tentativa de resolver problemas que nem sequer lhe pertencem.
Preocupa-me o esforço feminino de igualar-se aos homens, incluindo-se numa sociedade mercantil, onde a produção é posta acima de tudo. O modelo criado pelos esposos faliu, é maldoso e desumano. Perderemos muito tempo apostando numa velha história com novos atores. Eu confiaria na sensibilidade natural feminina para evoluirmos para algo novo, mais humanista, em que acima de tudo o respeito pelo próximo e pela natureza seriam as prioridades, exatamente o contrário que nossos exemplos másculos propagaram.
Esta nova forma de ver a vida não pode ser ativada com o simples toque de um botão ou num clique. É necessário que se inicie a construção de um pensamento direcionado ao avanço do bem-estar coletivo, independente de sexo, cor ou posses. Fica a provocação..

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