Fico muito feliz em saber que você encontrou tanto sentido na minha sopa de letras.
Rodrigo Goldacker
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5 meses depois estou eu aqui relendo esse texto. Comecei a reler cheia de medos e inseguranças sobre como iria ser esse retorno ao primeiro texto teu que li, e que foi tão impactante pra mim naquele momento da minha vida.

E pensando de forma objetiva, 5 meses nem é tanto assim. Mas se pensarmos de forma mais intima, parece rejuvenesci 20 anos em 5 meses. Quase Juscelino, 50 anos em 5. No meu caso foram 20 anos em 5 meses.(não ta ruim, vai. ahahahaha)

Pós releitura eu to mais leve. Sim, leve. Eu tava com muito medo, e chegar em

boa sorte aí dentro.

(grosso)

e perceber que está tudo bem; ninguém morreu, que não rolou apocalipse, que eu ainda te amo, que eu ainda tenho interesse na nossa amizade e que esse texto continua sendo muito importante pra mim, mas hoje de forma totalmente diferente do que foi na primeira vez. E se ele não fosse mais importante pra mim como foi, estaria tudo bem também (acho eu né).
Acho que estaria sim porque esse texto não é você, esse texto não é a nossa amizade e esse texto não sou eu.

Eu percebi como uma boa parte desse texto estava em blur pra mim. Eu relendo tive uma outra perspectiva sobre alguns pontos. Por exemplo, o tópico 3 tava em blur pra mim. Eu assimilei na época pouquíssimo dele. E eu lembro que eu estava em êxtase com o tópico 1 e 2. Eu estava sofrendo muito na época por conta também dessa solidão mental, dessa falta de alguém me entender, pelo menos nesses sofrimentos internos que ninguém vê porque eles não aparecem nas fotos do instagram. E ler esse texto foi um “eu entendo o que você está sentindo”. Mesmo que não fosse a mesma coisa, e nunca vai ser, mas foi um entendimento superficial de questões internas que eu estava tendo de forma muito latente e era muito triste fazer todas aquelas perguntas sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre mim… sozinha.

Eu estava na fase:

Por que existem pessoas que não estão fazendo a mesma coisa que eu? Por que elas não estão buscando respostas do jeito que busco? Por que elas se preocupam com a forma e a casca mais do que com o conteúdo e por que elas querem conversar sobre novelas e biquínis enquanto eu quero falar de abstrações complexas?

Essa fase é uó do borogodó. (essa expressão fala muito da minha idade cronológica. vamos ignorar isso)


Eu tenho uma crítica que me passou batido na primeira leitura. Na parte que você diz:

Eu fiz tudo que fiz e acabei aqui, vivo para contar a história, somente porque o julgamento sempre justo das consequências me permitiu que assim fizesse.

Julgamento sempre justo das consequências? Hmmm… To pensando aqui nas violências (não as que sofri, mas num geral mesmo)… Não falo nem do julgamento constitucional não. Falo disso de pensar que consequências são sempre justas. Sempre? Eu fiquei pensando nessa frase e como ela pode ser bem injusta. Se pensar você sendo um homem branco cis hetero, pra você as consequências sempre vão ser justas, não é mesmo? Essa frase quase (repetindo: quase) que me remeteu a meritocracia.


Agora, pós releitura e pós escrever tudo isso que escrevi aqui, posso dizer que esse texto foi um mega presente do tagueamento pra mim. Namaste ao tagueamento. (as vezes ele acerta)

Como será que vai ser a minha releitura daqui a 5 meses?

¯\_(ツ)_/¯