#Case — OMO e a ideologia de gênero

No dia 7 de outubro, a OMO Brasil fez uma publicação especial de Dia das Crianças que faz parte da sua campanha “#MomentosQueMarcam”, na qual convidava pais e mães para refletir sobre a realidade das brincadeiras de criança, e desconstruir a ideologia de gênero.

Enquanto a comunicação se restringia ao público da página, as interações negativas eram poucas, e as menções de apoio eram bem maiores que as de reprovação. Com a notoriedade da ação em redes sociais e sites de notícia, as críticas negativas cresceram bruscamente, e a marca sofreu ameças de boicote. Usuários conservadores, não necessariamente fãs da página ou da marca, se mostraram insatisfeitos com o posicionamento da empresa e reagiram com ódio nas redes sociais.

A mensagem que deveria ser interpretado como algo delicado e sútil, foi demonizada por milhares de pessoas que diziam que a marca não tinha o direito de ensinar o modo correto de educar um filho. A tentativa de boicote à marca resultou em mais de 200.000 dislikes no YouTube e milhares de comentários negativos.

A publicação incentiva que meninos e meninas brinquem com o que quiserem, sem se importar com estereótipos de gênero. Esse machismo enraizado impõe deveres às crianças desde pequenas, como as meninas tendo que brincar de cuidar da casa e os meninos dirigindo carros e motos, atividades essas que não necessariamente representam a vontade da criança. O estabelecimento de regras diferentes para meninos e meninas é o primeiro tipo de opressão que sofremos por conta da ideologia de gênero, colocando a mulher como objeto e o homem como dominante. Isso acontece quando ainda não temos conhecimento e entendimento para discernir as coisas.

Com quase 20.000 reações negativas, a OMO fez outra publicação para justificar a ação de Dia das Crianças, e reforçar o seu posicionamento. Muitas mães agradeceram a mensagem e compartilharam fotos de seus filhos em momentos de diversão, demonstrando apoio à marca.

A questão é: este posicionamento foi uma boa estratégia?

Na era do marketing existencialista, os produtos não se vendem mais apenas pelos seus benefícios, e as pessoas optam por experiências, valorizando as causas que a empresa acredita e apoia. Este conceito é utilizado para trazer mais engajamento e alcançar novos públicos.

O marketing verde também já foi uma tendência e todas as empresas queriam se mostrar sustentáveis para agradar o consumidor, e isso fez surgir o termo Greenwashing.

A lavagem verde, ou greenwashing, trata-se de uma estratégia para vincular uma empresa à causa ambiental, mas isso é feito de forma enganosa. Enquanto a marca promove discursos para se mostrar eco-friendly, ela também causa diversos impactos negativos ao meio ambiente.

A cor da vez é o rosa e o pink money dita as novas regras (falei um pouco sobre isso aqui). Ao levantar uma bandeira, a marca deve estar preparada para críticas e deve se manter firme no seu posicionamento, caso contrário, pode parecer oportunismo.

O histórico da marca deve ser levado em consideração para que a ação tenha fundamento. E muito mais do que mostrar, é ser; as empresas devem se mostrar inclusivas desde os seus processos internos, e não somente nas propagandas. Como diz a expressão “practice what you preach”, pratique o que você prega.

Vincular a imagem da marca à causas sociais gera identificação em diversos grupos sociais, e aversão em outros, logo, trata-se de um movimento delicado onde não é possível agradar a todos.

O objetivo da campanha foi trazer a reflexão para as brincadeiras de criança que reforçam estereótipos de gênero, e fazer com que as pessoas deixem os seus filhos livres para se divertir como quiserem. Este foi o primeiro posicionamento da OMO em relação a questões de gênero e, por mais que tenha sido alvo de duras críticas, foi uma ótima manifestação do assunto.

Se sujar, com todas as cores, faz bem.