O Treino da Atenção, Daniel Goleman, Foco, p. 163–164

Pense na atenção como um músculo mental que podemos fortalecer por meio de exercícios. A memorização exercita esse músculo, bem como a concentração. O equivalente mental de uma série de levantamento de peso é perceber quando nossa mente divaga e trazê-la de volta ao alvo.
Ocorre que esta é a essência do foco unidirecional na meditação, que, visto pela lente da neurociência cognitiva, normalmente envolve o treinamento da atenção. Somos orientados a manter o foco em uma coisa, como um mantra ou a própria respiração. Tente fazer isso por um tempo e inevitavelmente a sua mente irá divagar.
Assim, as instruções universais são as seguintes: quando a sua mente divagar — e você perceber que isso aconteceu — , traga-a de volta ao seu ponto focal e mantenha sua atenção lá. E quando a sua mente voltar a divagar, faça a mesma coisa. E de novo. E de novo. E de novo.
Neurocientistas da Universidade Emory usaram imagens feitas por ressonância magnética para estudar os cérebros de meditadores passando por esse simples movimento da mente. Há quatro passos nesse ciclo cognitivo: a mente divaga, você percebe que ela está divagando, você transfere a atenção para a respiração, e você a mentém lá.
Durante a divagação da mente, o cérebro ativa os circuitos mediais habituais. No instante em que você percebe que sua mente divagou, outra rede atenção, a de ênfase, se alerta. E quando você muda o foco novamente para a respiração e o mantém lá, os circuitos de controle cognitivo pré-frontais assumem o comando.
Como em qualquer exercício, quanto mais repetições são feitas, mais forte fica o músculo. Um estudo descobriu que pessoas com experiência em meditação eram capazes de desativar seus circuitos mediais mais rapidamente após notar a divagação mental. Uma vez que seus pensamentos se tornam menos “grudentos” com a prática, fica mais fácil abandoná-los e retornar à respiração. Foi detectada uma maior conectividade neural entre a região mental da divagação e aquelas que desligam a atenção. A conectividade aumentada nos cérebros de pessoas que meditam há muito tempo, sugere o estudo, é análoga aos peitorais trabalhados dos levantadores de peso que participam de competições. Quem faz musculação sabe que não ficará com uma barriga tanquinho levantando pesos livremente — é preciso fazer um esforço determinado para trabalhar os músculos relevantes. Músculos específicos respondem a regimes de treinamento particulares. O mesmo ocorre com o treinamento da atenção. A concentração em um ponto é o formador básico da atenção, mas essa capacidade pode ser aplicada de muitas maneiras diferentes.
Na academia de ginástica mental, como em qualquer treinamento físico, as especificidades do treino fazem toda a diferença.
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