Semiótica: Definições e Charles Sanders Peirce, Wikipédia, 28–29/12/2017, [comentários]

pirangy
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Dec 29, 2017 · 8 min read

A semiótica é o estudo dos signos e da semiose, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos e da semiose, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ambos os termos são derivados da palavra grega σημεῖον (sēmeion), que significa “signo”, havendo, desde a antiguidade, uma disciplina médica chamada de “semiologia” que é o sinônimo de Semiótica, a ciência geral dos signos que estuda todos os fenômenos de significação e foi usada pela primeira vez em Inglês por Henry Stubbes (1670), em um sentido muito preciso, para indicar o ramo da ciência médica dedicado ao estudo da interpretação de sinais. John Locke usou os termos “semeiotike” e “semeiotics” no livro 4, capítulo 21, do Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690).

Mais abrangente que a linguística, a qual se restringe ao estudo dos signos linguísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico — Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Culinária, Vestuário, Gestos, Religião, Ciência, etc.

Surgiu, [de forma independente], na Europa e nos Estados Unidos. Mais frequentemente, costuma-se chamar “semiótica” à ciência geral dos signos nascidas do norte-americano Charles Sanders Peirce e “Semiologia” à vertente europeia do mesmo estudo, as quais tinham métodos e enfoques diferenciados entre si.

Na vertente europeia o signo assumia, a princípio, um caráter duplo, composto de dois planos complementares — a saber, a “forma” (ou “significante”, aquilo que representa ou simboliza algo) e o “conteúdo” (ou “significado” do que é indicado pelo significante) — logo a semiologia seria uma ciência dupla que busca relacionar uma certa sintaxe (relativa à “forma”) a uma semântica (relativa ao “conteúdo”).

Mais complexa que a vertente europeia, em seus princípios básicos, a vertente peirciana considera o signo em três dimensões, sendo o signo, para esta, “triádico”. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da ideia.

Posteriormente, teóricos europeus como Roland Barthes e Umberto Eco preferiram adotar o termo “semiótica”, em vez de “semiologia”, para a sua teoria geral dos signos, tendo, de fato, Eco se aproximado mais das concepções peircianas do que das concepções europeias de origem em Saussure e no Estruturalismo de Roman Jakobson.

A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem percebe o que o rodeia.

Ciência que estuda como o ser humano interpreta os vários elementos da linguagem utilizando seus sentidos e quais reações esses elementos provocam.

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Origens do estudo geral dos signos
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É importante dizer que o saber foi estudado, inicialmente, constituído por uma dupla face. A face semiológica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das palavras).

A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas afeitas. Da Grécia antiga até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém, posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia).

Os problemas concernentes à semiologia e à semiótica, assim, podem retroceder a pensadores como Platão e Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e Charles Sanders Peirce, o estudo geral dos signos começa a adquirir autonomia e o status de ciência.

I. Charles Sanders Peirce

No estudo geral dos signos, Charles Sanders Peirce (1839–1914) seria o pioneiro daquela ciência que é conhecida como “semiótica”, usando já este termo, que John Locke, no final do século XVII, teria usado para designar uma futura ciência que estudaria, [justamente], os signos em geral. Para Peirce, o Homem significa tudo que o cerca numa concepção triádica (primeiridade, secundidade e terceiridade), e é nestes pilares que toda a sua teoria se baseia.

Num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Peirce, em 14 de maio de 1867, descreveu suas três categorias universais de toda a experiência e pensamento. Considerando tudo aquilo que se força sobre nós, impondo-se ao nosso reconhecimento, e não confundindo pensamento com pensamento racional, Peirce concluiu que tudo o que aparece à consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. Essas categorias foram denominadas:

  • Qualidade
  • Relação
  • Representação

Algum tempo depois, o termo Relação foi substituído por Reação e o termo Representação recebeu a denominação mais ampla de Mediação. Para fins científicos, Peirce preferiu fixar-se na terminologia de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.

Primeiridade — a qualidade da consciência imediata é uma impressão (qualidade de sentimento) in totum, invisível, não analisável, frágil. Tudo que está imediatamente presente à consciência de alguém é tudo aquilo que está na sua mente no instante presente. O sentimento como qualidade é, portanto, aquilo que dá sabor, tom, matiz à nossa consciência imediata, aquilo que se oculta ao nosso pensamento. A qualidade da consciência, na sua imediaticidade, é tão tenra que mal podemos tocá-la sem estragá-la. Nessa medida, o primeiro (primeiridade) é presente e imediato, ele é inicialmente, original, espontâneo e livre, ele precede toda síntese e toda diferenciação. Primeiridade é a compreensão superficial de um texto (leia-se texto não ao pé da letra; ex: uma foto pode ser lida, mas não é um texto propriamente dito). [E tenhamos a ideia de superficialidade não no sentido pejorativo, porém na acepção relativa à superfície de algo, em oposição à profundidade, por exemplo].

Como Luis Caramelo explica no seu livro Semiotica uma introdução, “A primeiridade diz respeito a todas as qualidades puras que, naturalmente, não estabelecem entre si qualquer tipo de relação. Estas qualidades puras traduzem-se por um conjunto de possibilidades de vir a acontecer (…)”. Desta forma, temos, no nosso mundo o acontecimento [fenômeno] ou possibilidadechuva”, mas é apenas isso, apenas possibilidade existencial. Caso localizemos chuva como um acontecimento, por exemplo “está a chover” estamos perante a secundidade.

Secundidade — a arena da existência cotidiana, estamos continuamente esbarrando em fatos que nos são “externos”, tropeçando em obstáculos, coisas reais, factivas que não cedem ao sabor de nossas fantasias. O simples fato de estarmos vivos, existindo, significa, a todo momento, que estamos reagindo em relação ao mundo. Existir é sentir a acção de fatos externos resistindo à nossa vontade. [A terminologia não deve ser considerada de maneira equívoca, porém é compreensível que essa última colocação nos leve a uma perspectiva um tanto pessimista. Beware]. Existir é estar numa relação, tomar um lugar na infinita miríade das determinações do universo, resistir e reagir, ocupar um tempo e espaço particulares.

Onde quer que haja um fenômeno, há uma qualidade, isto é, sua primeiridade.

Mas a qualidade é apenas uma parte do fenômeno, visto que, para existir, a qualidade tem que estar encarnada numa matéria.

O fato de existir (secundidade) está nessa corporificação material.

Assim sendo, Secundidade é quando o sujeito lê com compreensão e profundidade de seu conteúdo. Como exemplo: “o homem comeu banana”, e na cabeça do sujeito, ele compreende que o homem comeu a banana e possivelmente visualiza os dois elementos e a ação da frase.

A palavra chave deste conceito é ocorrência, o conceito em ação. É desta forma, também, uma atualização das qualidades da primeiridade.

Terceiridade — primeiridade é a categoria que dá à experiência sua qualidade “distintiva”, seu frescor, originalidade irrepetível e liberdade. Secundidade é aquilo que dá à experiência seu caráter “factual”, de luta e confronto. Finalmente, Terceiridade corresponde à camada de “inteligibilidade”, ou pensamento em signos, através da qual representamos e interpretamos o mundo. Por exemplo: o azul, simples e positivo azul, é o primeiro. O céu, como lugar e tempo, aqui e agora, onde se encarna o azul é um segundo. A síntese intelectual, elaboração cognitiva — o azul no céu, ou o azul do céu — , é um terceiro.

A terceiridade, vai além deste espectro de estrutura verbal da oração. Ou seja, o indivíduo conecta à frase sua experiência de vida, fornece à oração, um contexto pessoal. Pois “o homem comeu a banana” pode ser ligado à imagem de um macaco no zoológico [sic]; à cantora Carmem Miranda; ao filme King Kong; enfim, a uma série de elementos extratextuais.

Sucintamente, podemos dizer que terceiridade está ligada a nossa capacidade de previsão de futuras ocorrências da secundidade, já que não só conhecemos o acontecimento na medida da possibilidade natural, como já o vimos em acção, e como tal, já nos é intríseco. Desta forma já podemos antecipar o que virá a acontecer.

Também para Peirce há três tipos de signos:

  • O ícone, que mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o signo, representação do objeto, e o objeto dinâmico em si; o signo icônico refere o objecto que denota na medida em que partilha com ele possui caracteres, caracteres esses que existem no objecto denotado independentemente da existência do signo. — exemplo: pintura, fotografia, o desenho de um boneco. É importante falar que um ícone não só pode exercer esta função como é o caso do desenho de um boneco de homem e mulher que ficam anexados à porta do banheiro indicando se é masculino ou feminino, a priori, é ícone, mas também é símbolo, pois ao olhar para ele reconhecemos que ali há um banheiro e que é do genêro que o boneco representa, isto porque foi convencionado que assim seria, então ele é ícone e símbolo;
  • O índice, ou parte representada de um todo anteriormente adquirido pela experiência subjetiva ou pela herança cultural — exemplo: onde há fumaça, logo há fogo. Quer dizer que através de um indício (causa) tiramos conclusões. Ainda sobre o que nos diz este autor, é importante referir que “um signo, ou representamen, é qualquer coisa que está em vez (stands for)[representa] outra coisa, ‘em determinado aspecto ou a qualquer título’, (e que é considerado ‘representanteou representação da coisa, do objecto — a matéria física) e, por último, o ‘interpretante’ — a interpretação do objecto. Por exemplo, se estivéssemos a falar de “cadeira”, o representante seria o conceito que temos de cadeira. Sucintamente, o índice é um signo que se refere ao objecto denotado em virtude de ser realmente afectado por esse objecto. [Seguindo os exemplos: A fumaça só existe por causa do fogo; O conceito que temos de cadeira só existe por causa da cadeira]

O objeto seria a cadeira em si e o interpretante o modo como relacionamos com a coisa representada, o objeto de madeira [ou o material em questão] sobre o qual nos podemos sentar. Sobre isto é interessante ver a obra “One and three chairs” do artista plástico Joseph Kosuth. A principal característica do signo indicial é justamente a ligação física com seu objeto, como uma pegada é um “indício” de quem passou.

A fotografia, por exemplo, é primeiramente um índice, pois é um registro da luz em determinado momento.

  • O símbolo, “é um signo que se refere ao objecto que denota em virtude de uma lei, normalmente uma associação de ideias gerais que opera no sentido de fazer com que o símbolo seja interpretado como se referindo aquele objeto”.

Ver também uma exposição detalhada da rede de conceitos da semiótica peirceana em semiótica pragmaticista e pragmaticismo.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica

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    digitando enquanto leio. [typin’ while readin’].

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